Câncer de Próstata

O que é?

A próstata é uma glândula que se localiza logo abaixo da bexiga e à frente do reto, A próstata é responsável pela fabricação do líquido seminal. A uretra, canal por onde passa a urina saindo da bexiga, é envolvida inteiramente pela próstata. O câncer de próstata é o tumor mais comum na população masculina, com uma incidência de cerca de 60 mil novos casos ao ano no Brasil, e acometendo preferencialmente homens acima dos 50 anos de idade. Apresenta também uma discreta maior incidência e agressividade em negros.


Tipos de Câncer de Próstata

O principal tipo de câncer de próstata é o adenocarcinoma. A maioria das informações apresentadas aqui é referente a esse tipo histológico. Existem outros tipos histológicos mais raros, e o principal é o câncer de próstata do tipo neuroendócrino, ou também com componente de pequenas células. Esse último é um tipo de câncer de próstata bastante agressivo, que normalmente não apresenta grande alterações nos níveis de PSA, e que apresenta história, evolução e tratamento distintos.

Sintomas e Diagnóstico

No geral, câncer de próstata precoce não causa sintoma algum. Entretanto, quando presentes, os sintomas no geral não são específicos de câncer de próstata. Podem ocorrer sintomas semelhantes à condição de hiperplasia benigna da próstata, que podem incluir aumento da frequência urinária, acordar a noite para urinar, diminuição do jato de urina, sangramento na urina e ardência para urinar. Quando o câncer de próstata se dissemina para os ossos podem ocorrer dores ósseas. Os ossos mais comumente afetados incluem os ossos do quadril e coluna, mas qualquer osso do corpo pode ser afetado.

A biópsia da próstata ou de alguma outra lesão metastática suspeita é o exame que confirma o diagnóstico de câncer de próstata. Uma das informações mais importantes da biópsia de próstata é o escore Gleason. Este escore visa a ajudar na avaliação de quão agressivo o câncer é, e pode ajudar na tomada de decisão do tratamento.

Fatores de Risco

Os principais fatores de risco associados ao câncer de próstata são obesidade, idade, história familiar, e raça. Homens com um familiar de primeiro grau (pai ou irmão) com histórico de câncer de próstata apresentam um risco duas vezes maior de desenvolver câncer de próstata. Este risco sobe para cinco vezes quando se tem dois familiares de primeiro grau com câncer de próstata. Pacientes de raça negra podem apresentar tumores mais agressivos.

Estadiamento

O estadiamento do câncer de próstata tem o objetivo de avaliar o quão precoce ou avançado a doença está. O estadiamento do câncer de próstata localizado leva em consideração as características do tumor na próstata, o nível de PSA e o escore de Gleason (vide acima), e estratifica os pacientes entre risco baixo, intermediário ou alto. No geral, tumores pequenos, com PSA baixo e escore de Gleason baixo são de risco baixo, enquanto o contrário indica uma doença de risco alto. Exames de imagem devem ser indicados quando se há suspeita de lesões metastáticas. Neste sentido, um exame comumente pedido é a cintilografia óssea que visa a identificar potenciais metástases ósseas. Outros exames, como a tomografia ou a ressonância magnética do abdome e pelve, também podem ser ocasionalmente úteis no diagnóstico de metástases.

Tratamento

O câncer de próstata localizado apresenta basicamente duas possibilidades de tratamento: cirurgia radical ou radioterapia, podendo ser de dois tipos: a externa e a braquiterapia. A opção entre a cirurgia radical e a radioterapia deve ser discutida extensamente com o urologista, o radioterapeuta e o oncologista clínico, e leva em consideração o estadiamento do câncer de próstata. Em alguns casos, quando a radioterapia é escolhida, pode ser necessária a administração de medicamentos hormonais com o intuito de aumentar a eficácia da radioterapia. Da mesma forma, após a cirurgia radical, e a depender do estadiamento, tratamento complementar preventivo com radioterapia e/ou medicamentos hormonais pode ser indicado. Em contrapartida, em casos bastante selecionados de risco baixo, uma estratégia de observação apenas com consultas e exames periódicos pode ser utilizada. A partir do momento que o câncer de próstata se dissemina a outras partes do corpo com metástases, o principal tratamento inicial é com a manipulação hormonal que tem como objetivo diminuir os níveis de testosterona que serve como alimento ao tumor. Essa manipulação hormonal pode ser realizada inicialmente com a administração de medicamentos hormonais ou a realização de cirurgia nos testículos. Esse tratamento normalmente apresenta um grau elevado de eficácia e um longo tempo de duração. Quando ocorre progressão do tumor mesmo na vigência destes tratamentos de manipulação hormonal, há a necessidade de se administrar outros medicamentos. Esses compreendem novos medicamentos de manipulação hormonal e quimioterapia. Nos casos onde ocorre dor acentuada em algum osso, há a possibilidade de realizar radioterapia neste local com o intuito de reduzir a dor.

Rastreamento e Prevenção

O rastreamento e detecção precoce do câncer de próstata são feitos através da medida do PSA (ou antígeno prostático específico) no sangue, do toque retal e da biópsia de próstata quando indicada. Existe uma controvérsia grande na realização desses exames de rotina em todos os homens. O rastreamento com PSA e toque retal permitiu aumentar bastante a quantidade de diagnósticos de câncer de próstata mais precoce, mas falhou em demonstrar redução significativa da mortalidade. Esse fato possivelmente ocorre devido ao grande número de pacientes com tumores muito precoces que são diagnosticados e que possivelmente não viriam a desenvolver sintomas do câncer de próstata, e nem vir a falecer em decorrência da doença. Até que novos estudos sejam realizados ou finalizados, recomenda-se que todos os homens entre 50 e 75 anos façam pelo menos a cada 1 a 2 anos exames de rastreamento de câncer de próstata com a dosagem do PSA. Caso exista uma história familiar positiva de câncer de próstata, sugere-se reduzir a idade para 40-45 anos. Existem medicamentos que foram avaliados como tratamento de prevenção ao desenvolvimento de câncer de próstata. São eles a finasterida e a dutasterida, mas as evidências científicas ainda são controversas e eles não devem ser indicados de rotina.

Novidades Contra o Câncer de Próstata

Novos medicamentos vêm sendo ativamente estudados para o tratamento do câncer de próstata. Esses tratamentos visam atacar o câncer de próstata através de diferentes mecanismos, tais como: manipulação hormonal, quimioterapia, terapia-alvo dirigida (que se fundamentam no bloqueio do alvo-molecular celular, a fim de destruir a célula tumoral), medicina nuclear e vacinas. A abiraterona e a enzalutamida são os principais novos medicamentos aprovados que visam bloquear a produção ou ação da testosterona em pacientes que falharam a tratamentos de manipulação hormonal e quimioterapias prévias. O cabazitaxel é um novo quimioterápico recentemente aprovado para o tratamento de pacientes que falharam com o quimioterápico docetaxel. Novos medicamentos potenciais são o alpharadin (também conhecido como Rádio-223), que é um isótomo radioativo que ataca as lesões metastáticas nos ossos; o cabozantinibe, que ataca proteínas nas células tumorais (VEGFR-2 e cMET) responsáveis pela agressividade do tumor; e as vacinas, que visam a melhorar a resposta do sistema imunológico dos pacientes contra o tumor.

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