Câncer do Esôfago

O que é?

O esôfago é um órgão do aparelho digestivo com forma tubular localizado entre a faringe e o estômago e que se estende por aproximadamente 25 cm do pescoço ao abdome superior. Sua função é conduzir o alimento da boca ao estômago. No Brasil, o câncer de esôfago é o 6º tipo mais frequente entre os homens e o 15º entre as mulheres, com exceção do câncer de pele não melanoma. A estimativa é de 10.420 novos casos por ano, sendo 7.770 em homens e 2.650 em mulheres. Acomete mais o sexo masculino na faixa etária dos 50 aos 70 anos.


Tipo de Câncer do Esôfago

Os tipos mais comuns, responsáveis por 95% dos casos, são o carcinoma epidermóide e o adenocarcinoma. Eles diferem quanto à morfologia, localização e fatores predisponentes: o primeiro se desenvolve na região superior/média do esôfago, com origem em células escamosas, sendo mais associado à ingestão de álcool e tabagismo. Já o segundo surge de células glandulares, geralmente na parte inferior ou junção gastro-esofágica, relacionado à doença do refluxo, obesidade e fumo. Outros tipos mais raros, cerca de 1%, incluem linfomas, sarcomas, carcinoma de pequenas células e tumores adenoides císticos.

Sintomas e Diagnóstico

Os sinais e sintomas iniciais são inespecíficos como desconforto retroesternal ou queimação, dor torácica e anemia por perda de sangue crônica. Em casos de quadros mais avançados podem estar presentes a disfagia progressiva (dificuldade para engolir) inicialmente para sólidos e progredindo para líquidos, dor para engolir, perda de peso, rouquidão por invasão do nervo laríngeo recorrente, invasão do tumor para brônquios levando a tosse intratável ou pneumonias frequentes. O principal exame para diagnóstico é a Endoscopia Digestiva Alta (EDA), que permite a visualização direta de todo esôfago e biópsia. Pode haver necessidade de exames radiológicos com contraste como a Tomografia Computadorizada ou Ultrassom Trans-esofágico para complementar o diagnóstico.

Fatores de Risco


As principais condições predisponentes ao desenvolvimento do câncer de esôfago são:

1. Fumo (cigarro, charuto, cachimbo) e álcool: a combinação dos dois fatores aumenta ainda mais o risco. Mais de 95% dos pacientes com tumor epidermóide são fumantes ou etilistas.

2. Esofagite de Refluxo e Esôfago de Barrett: a exposição contínua e crônica às secreções gástricas modifica o revestimento do esôfago que é substituído por células glandulares no lugar de células escamosas, constituindo uma lesão pré-cancerosa que aumenta risco de câncer em pelo menos 30 vezes.

3. Dieta pobre em frutas e vegetais.

4. Ingestão de líquidos muito quentes.

5. Outras condições: obesidade, megaesôfago (causado pela Doença de Chagas) e história prévia de câncer epidermóide de cabeça e pescoço.

Estadiamento

Uma vez estabelecido o diagnóstico, há necessidade de realizar Tomografia Computadorizada do pescoço, tórax e abdome para avaliação do tumor primário e possíveis metástases à distância. O Ultrassom Endoscópico pode ser necessário para melhor avaliação da profundidade da lesão no esôfago e do envolvimento de linfonodos locais. O PET- Scan é um tipo de tomografia mais sensível na detecção de doença metastática e pode ser usado no estadiamento pré-operatório, chegando a mudar conduta em até 20% dos casos. Broncoscopia pode ser útil para avaliar invasão da traqueia e brônquios, principalmente em tumores no esôfago médio.

Tratamento

O tratamento envolve cirurgia, quimioterapia e radioterapia, combinados ou isolados, a depender basicamente da extensão da doença. Somente no caso de tumores considerados iniciais, ou seja, confinados à mucosa do esôfago, a ressecção endoscópica (retirada do tumor com acesso pela boca, sem necessidade de cortes) pode ser curativa. Quando o tumor é mais profundo e invade além da mucosa esofágica ou apresenta disseminação para linfonodos, somente 15% podem ser curados com terapia combinada. Na maioria dos casos, a cirurgia está indicada com remoção total ou parcial do esôfago associada à ressecção dos gânglios linfáticos. Tumores localizados no terço superior do esôfago tendem à maior mortalidade cirúrgica. Nesses casos, o tratamento combinado com quimioterapia e radioterapia é preferível à cirurgia por apresentar resultados semelhantes. Radioterapia exclusiva pode ser considerada em casos de lesão restrita à mucosa e menor que 5 cm, sem comprometimento linfático. Em lesões no terço inferior, particularmente em adenocarcinomas, a administração de quimioterapia antes e após a cirurgia é recomendada em alguns casos por aumentar as chances de cura, além de reduzir o tamanho do tumor, facilitando a operação. O tratamento da doença metastática é essencialmente paliativo, com o objetivo de aumentar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida no cenário de doença incurável, envolvendo quimioterapia isolada. Outros recursos disponíveis são dilatação endoscópica do esôfago ou implante de próteses autoexpansivas para impedir o estreitamento do órgão. Os quimioterápicos mais usados são cisplatina ou carboplatina, paclitaxel, docetaxel, 5-FU, irinotecano, oxaliplatina e leucovorim.

Rastreamento e Prevenção

A detecção precoce é importante uma vez que a doença tende a apresentar rapidamente metástase para gânglios linfáticos, reduzindo drasticamente as chances de cura. Porém, no Brasil não existem programas de rastreamento para pessoas assintomáticas. Em países orientais, cuja incidência é maior, é preconizada a realização de endoscopia regularmente. Medidas como interrupção do tabagismo, limitação da ingestão de álcool, manutenção do peso dentro do limite normal, com dieta saudável, e combate ao refluxo gastroesofágico podem ser importantes para prevenir esse tipo de câncer.

Novidades Contra o Câncer do Esôfago

O uso de terapias moleculares tem apresentado resultados promissores, mas ainda é considerado experimental. Têm sido estudados o trastuzumabe, o cetuximabe, gefitinibe e o bevacizumabe. Os tumores que expressam a proteína Her-2, mais frequentemente os adenocarcinomas, podem apresentar benefício em taxa de resposta e sobrevida global com a adição de trastuzumabe (terapia dirigida ao Her-2) à quimioterapia convencional. Os cetuximabe, gefitinibe e bevacizumabe também parecem conferir aumento na taxa de resposta e controle da doença com menor toxidade em relação aos esquemas já consolidados.

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