Câncer do Pâncreas

O que é?

O pâncreas é uma glândula localizada no retroperitôneo, atrás do estômago e do intestino, próximo a importantes vasos abdominais (como a veia porta e o tronco celíaco, que nutrem diversos órgãos como o fígado, o intestino, o estômago e o baço). O pâncreas divide-se em 4 regiões: cabeça, colo, corpo e cauda e tem como principais funções a fabricação de insulina e glucagon (hormônios envolvidos na regulação do metabolismo da glicose) e a produção das enzimas pancreáticas (envolvidas na digestão dos alimentos). O câncer de pâncreas representa aproximadamente 2% de todos os tipos de câncer diagnosticados, sendo o adenocarcinoma o tipo histológico mais comum (representa até 95% dos cânceres de pâncreas). Os outros 5% são devido a tumores neuroendócrinos.


Sintomas e Diagnóstico

Na maioria dos casos o câncer de pâncreas ocorre de forma silenciosa (com poucos sintomas), o que dificulta o diagnóstico em estágios mais precoces. No geral, os sintomas são inespecíficos, sendo os mais comuns: perda de peso, redução do apetite, fadiga, icterícia (vulgo amarelão – cor amarela na pele e na parte branca dos olhos, urina escurecida e fezes esbranquiçadas), dor abdominal (andar superior) e dor nas costas. A elevação do CA 19-9, um marcador tumoral, ocorre na maioria dos casos e a sua dosagem no sangue é uma importante ferramenta para o diagnóstico. No entanto, deve-se ter cautela na interpretação, pois a sua elevação também ocorre em outras situações, além do próprio câncer. A elevação das bilirrubinas no sangue confirma a icterícia. A Tomografia Computadorizada (TC) de abdome total é o melhor exame de imagem para o diagnóstico do câncer de pâncreas. A Ressonância Nuclear Magnética (RNM) fica reservada para os pacientes que não podem receber o contraste da TC. Outros exames que podem ser realizados, em situações específicas, são a Colangiopancreatografia Endoscópica (CPER), a Ultrassonografia Endoscópica (USG-EDA) e a Tomografia Computadorizada por Emissão de Pósitrons (PET-TC). Para confirmar o diagnóstico, no entanto, deve-se realizar a coleta do material através de biópsia (geralmente guiada por Ultrassom ou TC).

Fatores de Risco

Os fatores de risco são atitudes e hábitos de nosso cotidiano que levam a um aumento nas chances de desenvolver uma determinada doença. O tabagismo e o consumo crônico de álcool são importantes fatores de risco para o câncer de pâncreas. Outros fatores de risco são: diabetes, pancreatite crônica e certas síndromes genéticas (como a pancreatite hereditária, neoplasia endócrina múltipla tipo 1, síndrome de von Hippel-Lindau, a polipose adenomatosa familiar e aquelas relacionadas a mutações do gene BRCA).

Estadiamento

A avaliação inicial é realizada através de um exame físico completo, radiografia de tórax, TC de abdome e pelve e dosagem no sangue do CA 19-9 e CEA. Em casos específicos pode-se realizar USG endoscópica, RNM de abdome total e PET-TC. A laparoscopia diagnóstica pode estar indicada no pré-operatório daqueles pacientes com doença ressecável para avaliar se a doença não se espalhou pelo abdome. Um tumor ressecável cirurgicamente é aquele que é tecnicamente exequível de ser completamente retirado com margens cirúrgicas livres de células malignas. Em alguns casos a biópsia é necessária antes do início do tratamento seja cirúrgico, radioterápico ou medicamentoso.

Tratamento

Com um diagnóstico precoce e um tratamento multidisciplinar adequado pode-se alcançar a cura no câncer de pâncreas. No entanto, a cirurgia realizada depende da localização e da extensão do tumor. A cirurgia de Whipple, complexa e mórbida, é a mais comum. Nela retira-se a cabeça do pâncreas, o duodeno e a vesícula biliar. Em situações específicas, após a cirurgia deve-se realizar quimioterapia pós-operatória por 6 meses. Menos comumente, a radioterapia também pode ser indicada. Quando o tumor for considerado inicialmente irressecável pode-se, em alguns casos, realizar quimioterapia ou quimioradioterapia pré-operatória na tentativa de causar uma redução do tumor e assim permitir a realização da cirurgia curativa. Na presença de metástases, o tratamento é feito com quimioterapia paliativa (existem diversos esquemas disponíveis) e cirurgia paliativa, quando necessário, para desobstrução da drenagem da bile devido à compressão pelo tumor. Se houver obstrução das vias biliares e icterícia, pode-se implantar uma prótese no interior das vias biliares, facilitando o escoamento da bile e assim desfazer a icterícia. Nos casos onde o tumor obstrui a passagem do alimento pode ser necessário a realização de uma cirurgia para reconstruir o trânsito intestinal (ou desviá-lo) e assim permitir uma alimentação adequada. Na dor refratária (onde indivíduo perde a capacidade de responder) aos opióides (morfina, por exemplo), pode-se realizar a alcoolização do plexo celíaco, com excelentes resultados no controle da dor e com consequente redução na necessidade de uso de opióides.

Rastreamento e Prevenção

Não existe exame de rastreio para o câncer de pâncreas, assim como não está indicada de forma rotineira a dosagem do CA 19-9 no sangue. A melhor estratégia é, na presença de sinais sugestivos, procurar um profissional especializado e realizar os exames necessários.

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