Câncer de Estômago

Entendendo a doença

O câncer de estômago, também conhecido como câncer gástrico, é provocado pelo desenvolvimento anormal de células no órgão. De todos os tipos de cânceres, é o quinto mais frequente do mundo. No Brasil, é o quarto tipo mais comum entre homens e o sexto entre as mulheres, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). A estimativa é 21.290 novos casos por ano no país, 63% deles entre homens.

A boa notícia é que a incidência da doença vem diminuindo no Brasil. Uma das explicações para o fato é que nos últimos anos houve uma melhoria nas condições de preparo e armazenamento dos alimentos. A refrigeração adequada favorece o consumo de produtos mais frescos e naturais e a diminuição de alimentos defumados ou conservados pelo sal, que são considerados fatores de risco para o desenvolvimento de tumores gástricos.

Aproximadamente 70% dos casos de câncer de estômago afetam pessoas entre os 55 e 75 anos. O diagnóstico ocorre em média aos 68 anos.


Tipos

O tipo de tumor de estômago mais comum é o adenocarcinoma, responsável por mais de 90% dos casos. Ele se origina na camada da mucosa, isto é, na parte mais interna do estômago, que fica em contato direto com os alimentos.

Os tipos menos frequentes são os tumores neuroendócrinos (que se desenvolvem a partir de células do sistema endócrino presentes no estômago), os tumores estromais (mais conhecidos como GIST, que se originam nas paredes do trato gastrointestinal) e os linfomas (que têm origem nos gânglios que integram o sistema de defesa do organismo).


Sintomas

Na fase inicial, o câncer de estômago habitualmente não apresenta sintomas. Nesse estágio silencioso, o crescimento das lesões é lento, podendo durar de um a três anos sem que elas sejam percebidas. Além disso, os sinais iniciais são facilmente confundidos com gastrites, úlceras ou outras indisposições digestivas. Esse conjunto de fatores dificulta o diagnóstico, fazendo com que apenas um terço dos casos seja identificado logo no começo.

Alguns sintomas frequentes do câncer de estômago são:

  • Dor abdominal
  • Queimação e azia (chamados de sintomas dispépticos)
  • Náuseas, vômitos e sensação de estômago cheio
  • Perda de peso
  • Sangramento digestivo (vômitos ou fezes com presença de sangue)
  • Anemia
  • Acúmulo de líquidos no abdome (ascite)

Caso você note a persistência de sintomas como esses, é aconselhável procurar um gastroenterologista. O diagnóstico precoce faz toda a diferença, aumentando as chances de cura. Por essa razão, em países com alta incidência desse tipo de câncer, como o Japão, há programas preventivos de detecção precoce através da endoscopia.


Diagnóstico

O principal exame para diagnosticar tumores no estômago é a endoscopia digestiva alta, um procedimento que permite examinar o interior do esôfago, estômago e duodeno. Se for necessário, durante o próprio exame é colhido material para biópsia e análise anatomopatológica, a fim de confirmar ou não o diagnóstico.

Caso o câncer seja confirmado, seu médico provavelmente solicitará exames adicionais para fazer o estadiamento, isto é, avaliar o estágio da doença, levando em consideração o tamanho do tumor, a localização das lesões e eventual disseminação para outras partes do corpo (metástase). Além de ressonância magnética e tomografia, outros exames de imagem podem ser realizados, como a ecoendoscopia e a laparoscopia. Para casos selecionados, o médico poderá indicar o PET CT, um exame de imagem que permite ver com precisão a forma física e a atividade metabólica do tumor.


Tratamento

Os cânceres de estômago podem ser classificados em quatro estágios (estádios):

Estádio I: tumor confinado ao estômago, com invasão superficial da parede do órgão.

Estádio II: tumor que invade a camada muscular, podendo comprometer até seis linfonodos (gânglios linfáticos) próximos ao estômago.

Estádio III: tumor que infiltra até a parte serosa do estômago, podendo comprometer de sete a quinze linfonodos próximos ao órgão.

Estádio IV: comprometimento de mais de quinze linfonodos e órgãos vizinhos, como esôfago, duodeno, pâncreas e baço, ou distantes, como pulmão, fígado e ossos.

O tratamento varia de acordo com o estágio da doença. As abordagens indicadas para os tumores gástricos de maior incidência são:

  • Estádio I

Nessa fase, a doença é altamente curável por meio de cirurgia para retirada parcial (gastrectomia subtotal) ou completa do órgão (gastrectomia total). Neste último caso, pode ser necessário remover também partes do esôfago e do intestino e, ocasionalmente, o baço. Quando é feita a gastrectomia total, o cirurgião reconstrói o trânsito digestivo, criando uma estrutura para substituir o estômago e ligar o esôfago ao intestino delgado. A cirurgia endoscópica é uma alternativa indicada apenas quando o tumor não invadiu mais profundamente a parede gástrica.

  • Estádios II e III

Nesses casos, o tratamento é multidisciplinar e, além da cirurgia, pode envolver quimioterapia, com ou sem radioterapia.

- Cirurgia

A intervenção mais comum nesses estágios é a retirada de todo o estômago ou parte dele (gastrectomia total ou subtotal), com remoção do tumor, dos linfonodos e das estruturas vizinhas comprometidas.

- Quimioterapia

No caso de lesões que ultrapassaram a camada muscular e chegaram até a serosa do estômago ou comprometeram os linfonodos, a quimioterapia após a realização da cirurgia (quimioterapia adjuvante) pode reduzir o risco de recidiva (risco de nova ocorrência do câncer). A duração do tratamento varia de 18 a 24 meses.

Em tumores que invadem pelo menos a camada serosa da parede do estômago, é recomendável a administração de quimioterapia pré-operatória (neoadjuvante), pois além de reduzir o tamanho do tumor, facilitando a cirurgia, ela aumenta as chances de cura. Esse tratamento poder durar de 9 a 12 semanas antes da cirurgia e se estender pelo mesmo período após a gastrectomia.

- Radioterapia pós-operatória

Pacientes em boas condições clínicas operados de tumores que invadiram até a camada serosa ou os linfonodos regionais podem se beneficiar com a associação da radioterapia à quimioterapia após a cirurgia. A quimioterapia é administrada durante o tratamento radioterápico por cerca de cinco semanas e continua depois dele.

  • Estádio IV

Quando o câncer já invadiu órgãos como pulmões, fígado, peritônio ou ossos, o tratamento mais indicado é a quimioterapia, além do acompanhamento nutricional. Em alguns pacientes, quando o exame do tumor revelou a presença da proteína HER-2 na membrana da célula cancerosa, pode ser adicionada à quimioterapia a terapia-alvo com um novo medicamento: o trastuzumabe, um anticorpo que age contra essa proteína.

Em caso de tumores muito avançados, que obstruem a passagem de alimento, é possível introduzir uma prótese (stent) ou realizar uma cirurgia para ligar a parte sadia do estômago ao intestino delgado. Se esses procedimentos não forem viáveis, o médico avaliará outras possibilidades, como a colocação de sonda nasoenteral (introduzida pelo nariz para levar o alimento ao estômago), a realização de uma gastrostomia (sonda colocada diretamente no estômago através da parede abdominal) ou jejunostomia (sonda colocada diretamente no intestino delgado através da parede abdominal).

Esses procedimentos têm por objetivo assegurar a alimentação do paciente e, portanto, seu estado nutricional, o que é extremamente importante para a continuidade do tratamento e maior taxa de sucesso.

Fatores de risco

Vários fatores contribuem para o desenvolvimento do câncer de estômago, entre eles:

  • Dieta: alimentos mal armazenados ou preservados segundo técnicas antigas, como os salgados, defumados e embutidos, aumentam o risco. Já a refrigeração para a preservação dos alimentos, além do consumo de vegetais e frutas frescas, parecem reduzir a incidência desse tipo de câncer.
  • Infecções por Helicobacter pylori: essas bactérias vivem no estômago e são responsáveis por certos tipos de gastrites e úlceras. Estudos recentes sugerem que elas também podem causar alterações pré-malignas na mucosa estomacal, aumentando o risco de câncer. Mas é importante deixar claro: a presença da bactéria no estômago não significa que a pessoa desenvolverá o câncer. Aliás, os estudos demonstram que o aumento do risco é muito pequeno.
  • Pólipos no estômago: são mais raros do que os pólipos do intestino grosso. Entre os tipos estomacais, os adenomatosos são os que representam maior risco.
  • Fumo: o risco de câncer em fumantes é pelo menos duas vezes maior do que em não fumantes.
  • Gastrite atrófica e anemia perniciosa: condição rara, a gastrite atrófica leva a um risco maior de câncer de estômago. Ela é caracterizada pelo atrofiamento das células gástricas parietais (responsáveis pela liberação do ácido estomacal), afetando a absorção da vitamina B12 e provocando a chamada anemia perniciosa.
  • Histórico familiar: existe um tipo de câncer gástrico raro, que afeta com mais frequência jovens de famílias com diversos casos da doença. Considera-se o câncer de estômago familiar quando o tumor for do tipo indiferenciado (mucocelular ou células em anel de sinete) e houver pelo menos dois casos do mesmo tipo de câncer em consanguíneos diretos, sendo um deles com menos de 40 anos.
  • Etnia: Pessoas de origem asiática correm mais risco de desenvolver câncer de estômago. Porém, quando elas migram para o Ocidente, verifica-se uma diminuição progressiva da incidência nas gerações subsequentes, fato explicável especialmente pela adoção de outros hábitos alimentares.

Prevenção

Cuidar da dieta, não fumar e evitar o consumo exagerado de bebidas alcoólicas são atitudes que marcam pontos importantes na prevenção do câncer de estômago. Os especialistas recomendam um cardápio rico em frutas e vegetais e pobre em carnes vermelhas, alimentos defumados, muito salgados e embutidos (salsicha, linguiça, etc.). Exercícios físicos e controle do peso também são bem-vindos.

Ao contrário de outros tipos de tumores, como de mama, próstata, colo uterino, cólon e reto, para os quais existem exames rotineiros que possibilitam o diagnóstico precoce, não há no Brasil programas de rastreamento voltados ao câncer de estômago. Assim, é importante ficar atento aos sintomas que podem indicar a presença da doença (veja Sintomas) e, caso os observe, procurar o seu médico. Não custa reforçar: quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de cura.


Novidades

Um dos mais novos reforços para o enfrentamento do câncer gástrico veio do campo da imunoterapia (medicamentos que estimulam o sistema imunológico a atacar as células cancerosas). Trata-se do pembrolizumabe, uma alternativa para o tratamento de tumores do estômago que se mostraram resistentes à quimioterapia convencional e cujas células tumorais carregam a proteína PD-L1, substância capaz de enganar o sistema imune, facilitando a proliferação do câncer.

A pesquisa de expressão de PD-L1, realizada a partir de exames moleculares das células tumorais, ajudará o médico a identificar os pacientes que poderão se beneficiar dessa alternativa terapêutica.


Diferenciais BP

Na BP, você terá uma assistência baseada no que há de melhor e mais avançado para o tratamento do câncer gástrico: médicos especializados, equipe multiprofissional altamente qualificada e tecnologias de ponta. A isso, somamos o jeito BP de cuidar: com abordagem humanizada e uma fina capacidade para atender às demandas e necessidades específicas de cada paciente.

Os diferenciais de nossa assistência começam já na fase de diagnóstico e dos estudos para avaliar o estágio do tumor (estadiamento). A fim de garantir mais precisão e segurança no planejamento da estratégia do tratamento e nas intervenções futuras, incluímos a laparoscopia como procedimento diagnóstico.

Oncologistas clínicos, oncocirurgiões, gastroenterologistas, radiologistas e patologistas formam um grupo capacitado e sempre sintonizado com as novidades graças à sua participação em atividades de pesquisa, ensino e atualização médica focadas na compreensão e enfrentamento dos cânceres gástricos.

Contamos com um departamento cirúrgico exclusivamente dedicado ao câncer, com tecnologias de primeira linha. Também dispomos de importantes recursos para a medicina de precisão, como os exames imuno-histoquímicos, que permitem identificar as características moleculares do tumor e descobrir os medicamentos e dosagens mais indicados para cada caso.

O paciente está sempre no centro de nossas atividades. É com esse arsenal que estamos ao seu lado para vencer a luta contra o câncer.

← Voltar