Câncer de Testículo

Entendendo a doença

Apesar de corresponder a somente 1% dos tumores masculinos, o câncer de testículo é o mais comum em homens entre 15 e 35 anos de idade. É também um dos que apresentam maiores taxas de cura, graças principalmente aos avanços no tratamento e à abordagem multidisciplinar aplicada desde a etapa de diagnóstico.

A doença se caracteriza pelo crescimento anormal das células dessa glândula sexual masculina. A idade média dos pacientes por ocasião do diagnóstico é 33 anos.

Tipos

Os tumores de células germinativas (que são as células responsáveis pela produção dos espermatozoides) representam mais de 90% dos casos de câncer de testículo. De modo geral, eles são classificados em dois grupos, cada um deles correspondendo a aproximadamente 50% do total de tumores de células germinativas:

  • Seminoma: apresenta-se geralmente como uma doença localizada, ou seja, confinada ao testículo. De crescimento mais lento, esses tumores costumam responder bem ao tratamento com radioterapia.
  • Não-seminoma: esse tipo de tumor tende a se espalhar mais rapidamente e se divide em vários subtipos: carcinoma embrionário; tumores trofoblásticos (que incluem o coriocarcinoma), tumores do saco vitelínico e teratoma. 

Muitos dos tumores não-seminoma são mistos, ou seja, compostos por pelo menos dois subtipos diferentes. Do mesmo modo, alguns pacientes podem apresentar tumores com componentes de seminoma e não-seminoma. Esses casos são tratados como não-seminomas, porque eles crescem e se espalham com as características desse tipo de tumores.

Cada subtipo de tumor pode produzir proteínas específicas, que entram na circulação sanguínea. Elas funcionam como marcadores tumorais, o que é útil tanto para o diagnóstico da doença como para o prognóstico e acompanhamento. Os principais marcadores são:

  • Alfafetoproteína (AFP): pode estar aumentada nos carcinomas embrionários e nos tumores do saco vitelínico.
  • Subunidade beta da gonadotrofina coriônica humana (ß-HCG): apresenta alta concentração nos coriocarcinomas e pode estar aumentada nos carcinomas embrionários, nos tumores de saco vitelínico e numa minoria dos tumores seminomas.
  • Desidrogenase láctica (DHL): pode estar aumentada nos tumores seminomas e não-seminomas.

Sintomas

O sinal de alerta mais comum da presença do câncer de testículo é o aparecimento de um nódulo duro no testículo, geralmente indolor. Porém, outras alterações no corpo exigem atenção:

  • Aumento ou diminuição do tamanho dos testículos
  • Dor na região abdominal, perineal ou escrotal
  • Endurecimento dos testículos
  • Aumento das mamas (ginecomastia), observado em apenas 7% dos pacientes

Outros sintomas podem se manifestar quando a doença está mais avançada, geralmente atingindo os linfonodos (gânglios linfáticos) do retroperitônio (parte posterior do peritônio) ou outros órgãos, como o pulmão, fígado, cérebro e ossos. Nesses casos, os sintomas variam conforme o local afetado: 

  • Falta ar, tosse e escarro com sangue (sinalizam a disseminação para os pulmões).
  • Dores nas costas (podem estar associadas ao aumento de volume dos linfonodos do retroperitônio, ao lado da coluna lombar).
  • Dor óssea (pode indicar disseminação para os ossos).
  • Pele amarelada, náuseas e vômitos (podem estar associados à disseminação para o fígado).
  • Dor de cabeça e tontura (podem estar relacionadas com a disseminação para o cérebro).

Diagnóstico

Além da história clínica e do exame físico, caso suspeite de câncer de testículo, seu médico provavelmente solicitará a realização de ultrassonografia da bolsa escrotal e dosagem sanguínea dos marcadores tumorais relacionados à doença (veja detalhes em Tipos). Diferentemente de outros tumores, para o diagnóstico do câncer de testículo não é preciso fazer biópsia, ou seja, extrair uma amostra do tecido para análise em laboratório.  

Outros exames, como tomografia computadorizada do abdome, pelve e tórax podem ser necessárias para determinar o estágio da doença (estádio, na linguagem técnica), considerando aspectos como tamanho da lesão e eventual disseminação para outras partes do corpo. O câncer de testículo pode ser classificado em três estágios:

  • Estágio (Estádio) I: câncer confinado ao testículo.
  • Estágio (Estádio) II: câncer que comprometeu os linfonodos (gânglios linfáticos) retroperitoneais, com marcadores tumorais normais ou discretamente acima do normal.
  • Estágio (Estádio) III: câncer que comprometeu outros órgãos e/ou com marcadores tumorais em níveis bem acima do normal.

Os tumores em estágio II e III são classificados, ainda, em função do seu prognóstico (bom, intermediário ou ruim), conforme as perspectivas de evolução da doença.


Tratamento

Há cinco modalidades de tratamento do câncer de testículo que podem ser utilizadas de maneira isolada ou combinada, dependendo de cada caso: cirurgia, quimioterapia, radioterapia, vigilância ativa e quimioterapia em altas doses com transplante de medula óssea.  Geralmente, o primeiro passo é a remoção do testículo afetado por meio de uma incisão na virilha. Esse procedimento, chamado orquiectomia inguinal, tem caráter diagnóstico (confirmação da doença) e terapêutico. Dependendo do tipo de tumor (seminoma ou não-seminoma), do estágio da doença e do prognóstico, podem ser necessárias terapias complementares, como quimioterapia e radioterapia.

Um ponto importante: os tratamentos do câncer de testículo podem provocar a infertilidade. Assim, antes de qualquer procedimento, é recomendável colher esperma para armazenamento nos bancos de esperma. 

A volta da doença (recidiva) é comum nos cânceres de testículo e geralmente ocorre nos dois primeiros anos após o tratamento. Por isso, é muito importante o acompanhamento médico, com a realização periódica de exames de sangue, raio X de tórax, tomografia computadorizada ou ressonância magnética do abdome. Seu médico definirá a frequência e os tipos de exames mais indicados para o seu caso. Caso não haja alterações depois de dois anos, os exames passam a ser feitos em intervalos maiores. Após cinco anos sem evidência de recidiva, passam a ser anuais.

Se houver uma nova ocorrência de câncer, seu médico avaliará a conduta mais indicada: quimioterapia simples, nova cirurgia ou quimioterapia em altas doses associada com transplante de medula óssea.

Considerando o risco aumentado de desenvolver câncer no outro testículo, é recomendado fazer o autoexame regularmente e comunicar seu médico caso encontre alguma alteração.


Fatores de risco

A maioria dos tumores de testículo se desenvolve sem uma causa definida. Porém, alguns fatores podem aumentar o risco:

  • Criptorquidia, que é a ausência de um ou dos dois testículos na bolsa escrotal . 
  • História prévia de câncer de testículo (risco 2% maior de desenvolver tumor no outro testículo).
  • Histórico familiar (o risco é até 10 vezes maior em irmãos e filhos de um homem que teve câncer de testículo).

Prevenção

Não se conhecem medidas para prevenir o câncer de testículo, nem há indicação para a realização de exames de rotina para detecção precoce da doença. No entanto, é recomendável procurar seu médico se observar alterações que podem ser percebidas com um simples toque.  Também é importante que homens com criptorquidia busquem a correção do problema e realizem exames frequentes dos testículos.


Novidades

Não existem novidades relevantes registradas nos últimos anos relacionadas ao diagnóstico e tratamento do câncer de testículo. Entre outros fatores, isso se deve à baixa incidência da doença e ao satisfatório índice de eficácia dos recursos atualmente disponíveis.

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