Tumores Estromais Gastrointestinais (GISTs)

O que é?

São tumores raros, correspondendo a 1% de todos os cânceres do trato gastrointestinal (TGI). Eles surgem das células de Cajal (ICCs), que compõem a musculatura do TGI, geralmente após mutações que resultam na ativação do KIT (receptor de proteína tirosino-quinase) ou PDGFRA (receptor do fator de crescimento derivado de plaquetas alfa), que são moléculas que têm como uma das principais funções a regulação da proliferação das nossas células. Os tumores estromais gastrointestinais (GISTs) podem surgir ao longo de todo o trato gastrointestinal, entretanto, os casos s mais frequentemente observados são observados no estômago (60%) e no intestino delgado (30%). Eles são tumores de crescimento lento, mas frequentemente, em 50% dos casos, metástases são evidenciadas no diagnóstico.


Tipos de Tumores Estromais Gastrointestinais?

Todos os GISTs têm potencial maligno, entretanto, a maioria são benignos. Em alguns casos eles estão associados a síndromes genéticas:

1. Síndrome de tumor estromal gastrointestinal familiar: são casos de pessoas que herdam o gene anormal e, por isso, correm mais risco do desenvolvimento de GISTs. São raros os casos e tendem a desenvolver em idades mais precoces do que geralmente ocorre e têm mais chances de desenvolver GISTs múltiplos. Essa síndrome é causada por uma cópia anormal do gene c-kit que é herdada de pais para filhos. Pessoas com síndrome de GISTs familiar também apresentam manchas na pele como em casos de Neurofibromatose de tipo 1 ou doença de Von Recklinghausen.

2. Síndrome de Carney: é uma doença caracterizada por tumores do estroma gastrointestinal (GIST) e paragangliomas. Geralmente ocorre em pacientes em idade jovem, entretanto, é uma síndrome rara. Os paragangliomas na sua maioria são tumores benignos e a predisposição para o seu desenvolvimento é herdada.

3. Neurofibromatose de Tipo 1 ou doença de Von Recklinghausen: é causada por defeitos no gene NF1. Normalmente são tumores benignos que se formam nos nervos, chamados de neurofibromas. Os pacientes apresentam manchas castanhas ou marrom na pele (chamadas de manchas café com leite).


Sintomas e Diagnóstico

Os sintomas geralmente são inespecíficos, tais como saciedade precoce, dor de estômago ou abdominal, além de distensão, mas na maioria das vezes, cerca de 60% dos casos, são assintomáticos. Podem também estar associadas ao GIST manifestações cutâneas como hiperpigmentação (manchas na pele) e prurido (coceira), principalmente quando hereditários, e hipoglicemia por produção pelo tumor de fator de crescimento, semelhante à insulina. A suspeita de GIST decorre da investigação dos sintomas apresentados, associados aos exames de imagem. Os mais utilizados são ultrassonografia, tomografia, ressonância ou PET-CT. Qualquer um desses exames, com exceção à ultrassonografia, fornecem dados que nos levam a suspeitar fortemente do diagnóstico de GISTs. Porém, a confirmação é realizada por meio de biópsia ou cirurgia, sendo mandatória para a confirmação e a programação do tratamento. Não raro, os pacientes descobrem o tumor por acaso, em exames de rotina ou cirurgias por outros motivos.


Fatores de Risco

A maioria dos tumores estromais gastrointestinais não tem uma causa clara. Atualmente são raros os fatores de risco de GISTs, além disso, é difícil saber o quanto eles podem favorecer para a sua evolução. Entretanto, sabe-se que os GISTs podem ocorrer em qualquer idade, mas são raros em idade inferior a de 40 anos, sendo mais comum em pessoas com cerca de 60 anos de idade. Também podem ser associadas a síndromes genéticas, em casos observados em alguns membros da mesma família, que devido à herança de uma mutação genética podem desenvolver GISTs.


Estadiamento

O estadiamento é a classificação que utilizamos para definir qual a extensão da doença. Ele é fundamental para o planejamento da terapêutica. Basicamente, dividimos os pacientes com GIST em três grupos: doença ressecável, irressecável ou metastática.


Tratamento

O tratamento da doença ressecável é a cirurgia, seguida de complementação com imatinibe. Na doença metastática ou irressecável, o tratamento inicial de escolha é o sistêmico (com ação no corpo inteiro) também com imatinibe, que se apresenta como uma medicação muito mais ativa contra as células tumorais e com efeito mínimo nas células normais e consequente resposta contra o câncer com menores efeitos colaterais. Caso o paciente tenha uma resposta excelente, podemos avaliar a possibilidade de ressecção cirúrgica das lesões e manter o imatinibe após. No caso de progressão de doença, há outras possibilidades de tratamento como dosagem maior de imatinibe, ou outras medicações alvo moleculares como sunitinibe, sorafenibe ou everolimo. Cada caso deve ser avaliado separadamente para a definição da melhor estratégia.


Rastreamento e Prevenção

Não há diretrizes específicas para o rastreamento precoce do GIST na população em geral, até pelo fato de ser um tumor bastante raro. Todo sinal e sintoma deve ser investigado. Como os exames de imagem são excelentes para fornecer informações que levem à suspeição desse diagnóstico, qualquer lesão deve ser mais bem avaliada por um especialista.


Novidades Contra Tumores Estromais Gastrointestinais (GISTs)

Estudos clínicos estão investigando estratégias alternativas e novas drogas promissoras no tratamento do GIST, com o intuito de aumentar a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes.