Microcirurgia é o padrão-ouro para tratamento da MAV
O procedimento garante a cura definitiva da malformação arteriovenosa cerebral. De acordo com a gravidade do caso, pode ser combinado com embolização e radiocirurgia.
A malformação arteriovenosa cerebral (MAV) é uma doença neurológica caracterizada por um emaranhado de vasos sanguíneos no encéfalo que se assemelha a um amontoado de fios de lã embolados. Chamadas de nidus, essas formações vasculares anormais conectam indevidamente artérias e veias, afetando o fluxo sanguíneo e o fornecimento de oxigênio e nutrientes ao tecido do cérebro. As MAVs podem provocar lesões por falta de irrigação de sangue nas áreas cerebrais adjacentes e, em alguns casos, podem romper, desencadeando uma hemorragia, colocando a vida do paciente em risco.
A microcirurgia é o tratamento principal da MAV, seja realizada isoladamente ou de forma combinada com outras intervenções terapêuticas. Para definir quais recursos serão utilizados e em que extensão serão aplicados, os médicos se valem de uma grade de classificação que distingue as MAVs em graus que vão de 1 a 5, levando em consideração a região do cérebro onde elas estão instaladas, o tamanho do nidus e o tipo e nível de profundidade da irrigação sanguínea cerebral. Quanto maior o grau, maior o risco de complicações durante a cirurgia. Em alguns casos, apenas algumas partes da malformação arteriovenosa são tratadas. A ideia é sempre eliminar os risco de sangramentos.
A microcirurgia isolada é reservada para as MAVs com nidus menores, de irrigação superficial e que não comprometem áreas cerebrais que afetam funções vitais, as chamadas áreas eloquentes. Com o auxílio de microscópio cirúrgico de alta definição, o neurocirurgião cauteriza as pontas das artérias que levam sangue para o nidus e fazem o mesmo com as veias que o drenam, possibilitando sua extração total do cérebro.
Após as cirurgias menos complexas (graus 1 e 2), o paciente precisa ficar na UTI menos de 24 horas e tem alta em três ou quatro dias. Entre 15 e 30 dias retorna às suas atividades diárias. Nos casos mais complexos, é preciso ficar um dia a mais sob cuidados intensivos e leva um pouco mais de tempo para poder regressar à sua rotina.
Geralmente, as microcirurgias ocorrem com o paciente sedado, mas em alguns casos, em função da localização das MAVs em áreas nobres do cérebro, centros de excelência como a BP são capazes de realizar operações com o paciente acordado, condição que aumenta a segurança do procedimento. Assistido por neuropsicólogo durante o ato cirúrgico, o neurocirurgião pode verificar em tempo real se funções como a fala estão sendo afetadas enquanto a intervenção cirúrgica é feita e o paciente conversa ou cantarola.
Tratamentos combinados
Em algumas situações, a microcirurgia pode ser antecedida por sessões de embolização endovenosa, procedimento padrão quando falamos sobre MAV e pediatria. Nesse procedimento, que é realizado em centro de hemodinâmica, o fechamento dos vasos é feito com a colocação de polímeros especiais via cateterismo. Em contato com o sangue, eles se solidificam, interrompendo o fluxo sanguíneo no nidus. Mais de uma sessão de embolização pode ser realizada antes da cirurgia, com intervalo de 30 dias, visando sempre oferecer ao neurocirurgião as melhores condições para o tratamento definitivo.
Nos casos mais complexos – MAVs grau 5, grandes, de irrigação profunda e comprometendo área crítica, uma condição não tão comum em uma doença pouco frequente –, os tratamentos podem ser complementados com radiocirurgia, procedimento que não tem nada a ver com cirurgia, apesar do nome. Trata-se de aplicar altas doses de radiação sobre os vasos do nidus para fechá-los.
Seja isolada ou combinada, a microcirurgia é o caminho certo para a cura definitiva da MAV. Somente pacientes em condições clínicas que os impedem de fazer a cirurgia acabam apenas sendo acompanhados em consultas periódicas, sem intervenções, e, quando necessário, tomando remédios para controlar crises convulsivas que podem surgir como sintoma da malformação.
Fonte: Feres Chaddad – CRM/SP 89.100 e José Maria de Campos Fihos – CRM/SP 107.884
Data da última atualização: 02/06/2023




