Novos tratamentos de Parkinson

Avanços no tratamento da Doença de Parkinson
Atualmente com bons recursos para controlar os sintomas e efeitos colaterais das medicações, a doença é objeto de estudos que buscam soluções para frear seu progresso e até levar à sonhada cura.
Mais de uma centena de estudos em andamento buscam tratamentos para algo impossível atualmente: impedir o avanço e até mesmo curar a Doença de Parkinson, problema degenerativo que, segundo a Organização Mundial da Saúde, afeta cerca de 1% da população mundial. A doença atinge principalmente pessoas a partir dos 65 anos. Portanto, a incidência tende a crescer com o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população.

Apesar de progressos significativos no tratamento, atualmente a medicina só consegue controlar os sintomas do Parkinson e reduzir efeitos colaterais dos medicamentos. Mas isso já significa uma melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes.

Hoje, o controle dos sintomas é alcançado por medicamentos ou técnicas que estimulam a produção da dopamina, substância associada à capacidade do cérebro de controlar os movimentos. O principal medicamento é a levodopa, que atua aumentando a produção da dopamina para amenizar os sintomas, entre eles tremores em repouso, rigidez e lentidão de movimentos.

Atualmente, a medicação está disponível em diferentes apresentações, que melhoraram sua performance. A inalatória tem a absorção e efeito mais rápido para conter os sintomas. Já a apresentação na forma de infusão contínua garante uma liberação lenta e constante, permitindo manter o controle dos sintomas por períodos mais longos sem precisar de outra dose.

Novos medicamentos, também estimuladores de dopamina, surgiram para complementar a levodopa, que em cerca de cinco a dez anos começa a gerar efeitos colaterais, sendo o principal deles a discinesia, que são movimentos descontrolados de membros ou da face (tiques). Embora sem a mesma eficácia, eles podem ser incorporados ao tratamento, permitindo reduzir a dose da levodopa, retardando e reduzindo os efeitos colaterais.

Outro avanço importante dos últimos anos veio com a técnica neurocirúrgica conhecida como DBS, sigla em inglês para Estimulação Cerebral Profunda. Consiste na implantação de um marca-passo na área onde há comprometimento dos neurônios. O marca-passo envia impulsos elétricos para inibir o mecanismo cerebral que causa a Doença de Parkinson. Estimulação Cerebral Profunda é indicada para pacientes específicos: indivíduos que apresentam discinesia (movimentos rápidos e descontrolados gerados pela alta dose de levodopa) ou para aqueles que sofrem com tremores refratários ao medicamento.

Estimulação Cerebral Profunda é indicada para pacientes específicos: indivíduos que apresentam discinesia (movimentos rápidos e descontrolados gerados pela alta dose de levodopa) ou para aqueles que sofrem com tremores refratários ao medicamento.

Ainda pouco explorada no Brasil, há também a técnica de aplicação de ultrassom, gerando ondas ultrassônicas em regiões determinadas do cérebro com o intuito de reduzir os sintomas e a necessidade de doses altas de levodopa responsáveis pela discinesia.

Estudos em andamento
Boas novas podem surgir nos próximos anos, levando o tratamento da Doença de Parkinson para outro patamar. Há mais de uma centena de estudos em andamento, alguns com resultados a serem divulgados entre final de 2022 e no decorrer de 2023.

São trabalhos que buscam frear a progressão da doença ou curá-la. Grande parte aposta em terapia genética, com o uso de células-tronco na região problemática do cérebro para impedir a falha dos neurônios que leva ao desenvolvimento da doença. Também há um número considerável de estudos abordando métodos antioxidantes, que evitariam a deterioração das células.

Estudos com resultados promissores sempre levam um tempo para se transformarem em produtos e terapias disponíveis no mercado, mas a expectativa é que na próxima década haja uma grande e positiva revolução no tratamento do Parkinson.

Fonte: Marcelo Freitas Schmid – CRM/SP 165.433

Data de produção: 25/11/2022

Data da última atualização: 28/11/2022

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