Câncer de Rim

O que é?

O câncer de rim, antigamente chamado de hipernefroma, surge a partir de células que revestem os pequenos canais microscópicos dentro do órgão, responsáveis por filtrar o sangue e drenar a urina. O câncer de rim é relativamente incomum, correspondendo a cerca de 3% a 5% de todos os tipos de câncer no organismo humano. No mundo, cerca de 150 mil pessoas são diagnosticadas anualmente, e esse número vem subindo gradativamente. Ele é discretamente mais frequente em homens do que em mulheres.


Tipos de Câncer de Rim

O principal e mais frequente é o câncer de rim do tipo ‘células claras’, que corresponde a cerca de 70% a 80% dos casos. O segundo tipo mais comum é o ‘papilífero’, responsável por aproximadamente 15% das ocorrências. Outros tipos mais incomuns são o ‘cromófobo’ e o ‘oncocitoma’. O componente sarcomatóide não é um tipo isolado de câncer de rim, mas pode estar presente nos diferentes tipos de câncer desse órgão. É fundamental que o diagnóstico seja o mais preciso possível, pois os diferentes tipos de câncer de rim necessitam de tratamentos distintos.

Sintomas e Diagnóstico

Existe uma grande série de sintomas que podem estar presentes. Os mais comuns incluem sangramento na urina, dor lombar ou abdominal lateral, e sensação de uma massa abdominal. Entretanto, atualmente é muito comum os pacientes serem diagnosticados sem nenhum sintoma aparente. Nesses casos, na maioria das vezes ocorre o diagnóstico acidental quando está se realizando algum exame de imagem abdominal, como Ultrassom ou Tomografia, por outros motivos (ex. apendicite, colecistite, etc.). Lesões tumorais suspeitas no rim são geralmente submetidas de imediato à biópsia ou à ressecção cirúrgica. O diagnóstico definitivo do câncer de rim só é feito com a análise do tumor em microscópio.

Fatores de Risco

Os principais fatores de risco associados com o desenvolvimento de câncer de rim são tabagismo, obesidade, hipertensão, história familiar positiva, uso crônico de antinflamatórios não-hormonais, rins policísticos e insuficiência renal crônica em diálise. Existem também raras síndromes genéticas que aumentam o risco de câncer de rim. Essas síndromes são hereditárias, ou seja, acometem diversos membros da mesma família e passam de pais para filhos. Por exemplo: Von-Hippel Lindau, Birt-Hogg Dubbe, Esclerose Tuberosa, Carcinoma Renal Papilífero Hereditário e Leiomiomatose Hereditária, entre outras.

Estadiamento

O estadiamento do câncer de rim depende, basicamente, do tamanho do tumor e do grau de invasão dos órgãos adjacentes ou de órgãos à distância. Dividimos o estadiamento em quatro estágios:

1. Estádio I: encontram-se os tumores menores que 7cm;
2. Estádio II: tumores maiores que 7cm;
3. Estádio III: tumores que invadem estruturas adjacentes como a veia renal, a veia cava, a gordural renal adjacente, ou linfonodos próximos;
4. Estádio IV: são classificados os tumores que invadem outros órgãos mais distantes (ex: pulmão, fígado, ossos, cérebro etc).

Para o estadiamento, são necessários exames de imagem com alta precisão.

Tratamento

O tratamento do câncer de rim em estágios precoces localizados (I, II e III) baseia-se na ressecção cirúrgica do tumor. Nos casos em que o tumor é pequeno e de localização favorável, a realização de ressecção somente da parte do rim com o tumor deve ser sempre preferida. A ressecção total do rim só deve ser realizada nos casos mais avançados, ou nos casos em que a localização do tumor no rim não permita a realização de ressecção parcial. A cirurgia pode ser feita por incisões abertas (convencional) ou pela laparoscopia, que leva a uma recuperação mais fácil por parte do paciente. Até o momento não existem tratamentos preventivos (ou adjuvantes) após a ressecção do câncer de rim. Por um longo período, o tratamento do câncer de rim avançado, com metástases, era realizado com uso de medicamentos visando a melhora do sistema imunológico (ex. interferon-alfa e interleucina-2). Hoje, o uso do interferon-alfa caiu bastante, permanecendo apenas como parte de uma combinação com o bevacizumabe. A interleucina-2 ainda hoje é utilizada, pois apresenta benefício significativo em uma parcela pequena de pacientes. Nesse sentido, ainda hoje é tido como o único tratamento medicamentoso capaz de propiciar chances de cura, apesar dos efeitos colaterais e da necessidade de atuação de uma grande equipe multidisciplinar. Desde 2004, novas e modernas medicações surgiram para o tratamento do câncer de rim metastático. Essas medicações são conhecidas como inibidores de angiogênese. Para alguns casos selecionados de câncer de rim, existem também os inibidores da proteína celular mTOR, que são o tensirolimo e o everolimo.

Rastreamento e Prevenção

Para a população em geral, não existe até o momento nenhuma estratégia para rastreamento ou detecção precoce do câncer de rim. Entretanto, os membros de famílias com alguma das raras síndromes genéticas que aumentam o risco de câncer de rim devem ser seguidos regularmente à procura de tumores suspeitos nos rins. A melhor prevenção para o desenvolvimento de câncer de rim é manter hábitos saudáveis, tais como: não fumar, manter o controle de peso e controlar as doenças que levam a insuficiência renal crônica, como hipertensão e diabetes.

Novidades Contra o Câncer de Rim

Estão em estudos novas estratégias de tratamento de tumores de rim, por meio da utilização de mecanismos que destroem o tumor sem a realização da cirurgia. Esses procedimentos são conhecidos como ablação por radiofrequencia, ou ablação por crioterapia, e são realizados em casos selecionados de câncer de rim, onde a realização de cirurgia para ressecção do tumor não é possível. Nos últimos anos, a crioterapia vem sendo utilizada como resultados muito animadores. Existem diversos estudos em andamento, com o intuito de administrar medicamentos para prevenir a recidiva de câncer de rim em pacientes operados, e os resultados desses estudos devem estar disponíveis nos próximos anos. Diversos novos medicamentos também vêm sendo estudados no tratamento do câncer de rim metastático. Novos inibidores de angiogênese (ou formação de novos vasos sanguíneos) tumoral e/ou outros alvos da célula tumoral (ex. MET) estão sendo investigados. Eles objetivam ter uma maior eficácia e provocar menos efeitos colaterais. Novos medicamentos que visam aumentar a ação do próprio sistema imunológico do paciente contra o câncer de rim também estão sendo ativamente estudados no câncer de rim metastático.

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