Esclerose Múltipla

Entendendo a doença

A esclerose múltipla é uma doença neurológica imunomediada inflamatória. Ela é desencadeada por reação do próprio organismo, que “por engano” ataca áreas saudáveis do sistema nervoso, no caso, a bainha de mielina, um tecido que reveste as células nervosas e conduz os impulsos elétricos do cérebro. Isso gera um processo inflamatório chamado de desmielinização, que compromete a função da bainha de mielina e leva à morte de neurônios na parte afetada, seja encéfalo ou medula , podendo causar problemas de visão, sensibilidade, equilíbrio e força muscular, entre outros. Na maioria dos casos, a doença se manifesta na forma de surtos que podem durar horas, dias ou até meses.

Após o surto, as funções podem ser recuperadas total ou parcialmente. Contudo, sem tratamento, os surtos podem se repetir e provocar a degeneração da área afetada, comprometendo sua atividade e gerando sequelas.

A esclerose múltipla ainda não tem cura. Mas há muitos avanços no tratamento, permitindo seu controle e assegurando boa qualidade de vida para grande parte dos pacientes.

No Brasil, cerca de 35 mil pessoas têm a doença, segundo estimativa da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla de 2013. A maior prevalência é em mulheres brancas.


Tipos

De forma geral, os especialistas classificam a esclerose múltipla em:

  • Recorrente remitente – Representa a maior parte dos casos de esclerose múltipla. Os surtos são cíclicos e, muitas vezes, há a remissão espontânea dos sintomas, com recuperação total ou mínima perda das funções. A melhora repentina pode levar a pessoa a não procurar auxílio médico e adiar o diagnóstico. Mas com a repetição dos surtos, se não for iniciado o tratamento, a recuperação é mais difícil, e as sequelas também se intensificam.
  • Secundariamente progressiva– Sucede a forma recorrente remitente, onde há surto e remissão. Após várias repetições dos ciclos, uma parte dos pacientes passa a ter progressão contínua da doença, sem intercalar períodos de surto e melhora, com avanço da gravidade do processo de perda de mielina e sequelas nas funções atingidas. Vale lembrar que nem todo portador do tipo recorrente remitente evoluirá para esta fase, principalmente nos dias de hoje, quando a medicina oferece recursos que permitem diagnóstico precoce e tratamentos diversos.
  • Primariamente progressiva - Neste caso, não há propriamente surtos. A manifestação dos sintomas é
    progressiva e rápida, com déficits neurológicos significativos. A evolução da doença é mais agressiva.
  • Síndrome clínica isolada (SIS) - Trata-se de um único surto provocado por uma lesão inflamatória,
    geralmente afetando uma única área e função. Pode preceder o desenvolvimento da esclerose múltipla ou não mais se repetir.

Sintomas

As manifestações da esclerose múltipla variam de acordo com a região do encéfalo ou medula afetada pela desmielinização. Em grande parte das crises, a doença compromete mais de uma região, gerando sintomas diversos, entre eles:

  • Perda ou redução de visão, visão dupla ou embaçada.
  • Fadiga.
  • Dificuldade de locomoção devido ao enfraquecimento muscular, espasmos e rigidez muscular.
  • Alterações motoras, com falta de coordenação motora, desequilíbrio e tontura.
  • Redução de sensibilidade, dormência e formigamento.
  • Intolerância ao calor.
  • Dificuldade para urinar, com incontinência ou retenção urinária.
  • Dificuldades cognitivas, como perda de memória, de atenção ou do processamento das informações.
  • Transtornos mentais, como depressão, ansiedade e alteração de humor, entre outros.
  • Disfunção erétil nos homens e redução da lubrificação vaginal nas mulheres.
  • Em alguns casos, geralmente mais avançados, podem ocorrer convulsões.

Diagnóstico

Muitas doenças apresentam sintomas semelhantes aos da esclerose múltipla. Assim, o diagnóstico correto depende de uma avaliação criteriosa do neurologista. Além de levantar o quadro clínico, com detalhamento e períodos dos sintomas e histórico familiar, ele solicitará a realização de alguns exames:

  • Ressonância magnética com contraste, que permite avaliar a existência de lesões recentes ou antigas nas áreas afetadas.
  • Exame de líquor (LCR - líquido cefalorraquidiano), que detecta marcadores indicativos de ação imunológica inflamatória no sistema nervoso central.
  • Exame de Potencial Evocado, que mede a condução elétrica nos nervos das funções visual, auditiva, motora e sensorial.

Os resultados desses exames são avaliados conjuntamente de acordo com os Critérios de McDonald – critérios adotados internacionalmente para o diagnóstico da esclerose múltipla, estabelecidos a partir de estudos científicos e atualizados periodicamente. Confirmado o diagnóstico, o médico poderá indicar a realização de exames complementares para identificar o tipo de esclerose múltipla, já que o tratamento varia de acordo com o perfil da doença.


Tratamento

Atualmente, uma série de medicamentos intramusculares, endovenosos ou orais está disponível para o controle da doença. Todos atuam no sistema imunológico, mas estratégia de tratamento é sempre individualizada, considerando a fase da doença, o tipo de crise, características e resposta do paciente, entre outros fatores.

São várias as possibilidades e combinações de medicamentos que seu médico pode utilizar para reduzir a frequência e intensidade dos surtos, fazendo ajustes de acordo com evolução da doença e/ou efeitos colaterais.

Durante um surto, são indicadas drogas imunossupressoras, geralmente corticoides, que reduzem a ação do sistema imunológico. Caso não haja uma boa resposta do paciente ou ele não possa tomar corticoides, uma opção é uso de imunoglobulina, um tratamento imunomodulador, que regula o sistema imunológico.

Para deter o avanço da doença pode ser utilizado atualmente um anticorpo monoclonal. Outras medicações podem ser utilizadas em diferentes fases da esclerose múltipla e, além do tratamento medicamentoso, o paciente pode se beneficiar de atividades de reabilitação com fisioterapia e terapia ocupacional para recuperar funcionalidades que tenham sido afetadas pelos surtos, como fraqueza muscular, equilíbrio e sensibilidade, entre outros.


Fatores de risco

As causas da esclerose múltipla ainda são desconhecidas, mas alguns fatores podem tornar a pessoa mais suscetível:

  • Ter na família casos de esclerose múltipla ou de outras doenças autoimunes.
  • Alguns estudos associam a prevalência da doença em povos com baixa exposição à luz solar. Há maior incidência em europeus, especialmente os nórdicos.
  • Mulheres são mais afetadas do que homens.

Prevenção

Como não se conhecem ainda as causas da esclerose múltipla, não há indicações de prevenção. Mas é importante ficar atento aos sintomas e procurar logo o seu médico, principalmente se você faz parte dos grupos de risco. O diagnóstico e tratamento precoces ajudam a controlar as crises e evitar prejuízos às funções neurológicas.


Novidades

As doenças autoimunes, entre elas a esclerose múltipla, fazem parte de um segmento da neurologia que tem sido foco de vários estudos e importantes avanços no tratamento. Além dos medicamentos lançados nos últimos cinco anos, vários outros estão em estudo e devem ampliar o leque de recursos para controle da doença e melhoria da qualidade de vida dos portadores.

Uma importante novidade, disponível no Brasil há dois anos, é o ocrelizumabe, da classe de anticorpos monoclonais. Aplicado por infusão intravenosa a cada seis meses, o medicamento tem apresentado bons resultados na estabilização de pacientes com os tipos de esclerose múltipla primariamente e secundariamente progressivas.


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