Carcinomatose peritoneal

Entendendo a doença

A carcinomatose peritoneal é o câncer disseminado no peritônio. Mais de 90% dos casos são tumores secundários (metastáticos), ou seja, se originaram a partir do câncer de outros órgãos que se espalhou e atingiu essa membrana. E existem também os tumores primários, que começam no próprio peritônio, mas eles são mais raros.

A doença afeta homens e mulheres de todas as faixas etárias e, até poucos anos atrás, era sinônimo de morte. Contudo, com o avanço das técnicas cirúrgicas e dos tratamentos quimioterápicos houve reversão desse quadro, aumentando bastante as chances de cura e a sobrevida.  

Tipos

Os tipos de carcinomatose peritoneal secundária variam de acordo com o local de origem da doença, como intestino, ovário, estômago, pâncreas e apêndice, entre outros. Entre os tumores primários de peritônio, os tipos mais incidentes são o mesotelioma e o adenocarcinoma, sendo que este último afeta mais as mulheres.


Sintomas

Na fase inicial, a carcinomatose peritoneal não costuma apresentar sintomas. Quando aparecem, geralmente a doença já está mais disseminada na cavidade abdominal. Mesmo assim, não são sintomas específicos, pois podem estar relacionados com outros problemas de saúde. Os mais comuns são:

  • Aumento do volume abdominal
  • Dor ou desconforto persistente no abdome
  • Ascite (barriga d’água)
  • Alteração do hábito intestinal
  • Dor ou sensação de pressão ao urinar
  • Presença de muco na urina
  • Aparecimento de hérnias no umbigo ou inguinais
  • Perda de peso
  • Cansaço 

Diagnóstico

Em caso de suspeita de carcinomatose peritoneal, além do exame clínico, seu médico provavelmente solicitará a realização de alguns exames que ajudarão no diagnóstico, entre eles:

  • Exames laboratoriais (exame de sangue) para análise de marcadores tumorais (CEA, CA 125, CA 19-9, CA 15-3).
  • Exames de imagem, como ultrassom, tomografia e ressonância magnética.
  • Eventualmente, podem ser necessárias também endoscopia e colonoscopia, para avaliar a eventual presença de tumores no estômago e intestino que possam ter se disseminado para o peritônio.

Tratamento

Para definir a estratégia de tratamento da carcinomatose peritoneal, os médicos levam em conta diversos fatores inter-relacionados: 

  • Lugar de origem da doença (sítio primário, na linguagem médica).
  • Extensão do câncer na cavidade abdominal (mensurada pelo Índice de Câncer Peritoneal – ICP, que varia de 0 a 39, conforme a gravidade da doença).
  • Idade e estado de saúde do paciente.

As alternativas de tratamento incluem:

  • Cirurgia citorredutora, que tem por objetivo remover todos os tumores visíveis da cavidade peritoneal. Durante o procedimento, também podem ser extraídos tumores de outras partes do abdome (intestino, pâncreas, bexiga, etc.) ou órgãos inteiros, como ovários e vesícula. 
  • Quimioterapia com aerossol intraperitoneal pressurizada, conhecida pela sigla Pipac (veja detalhes em Novidades).
  • Quimioterapia tradicional.

Até os anos 90, a carcinomatose peritoneal tinha um prognóstico bastante desfavorável. Isso mudou com os avanços das cirurgias citorredudoras e as novas modalidades de quimioterapia intraperitoneal que tornaram a cura possível e, quando não, permitem controlar a doença, com ganhos importantes em termos de sobrevida.


Fatores de risco

As principais condições que aumentam o risco da doença são:

  • Mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, que estão associadas aos cânceres de ovário e pâncreas, podem favorecer o desenvolvimento das metástases peritoneais.   
  • A exposição ao amianto (asbesto) eleva o risco de tumores do tipo mesotelioma peritoneal.
  • Tumores que se originaram em outras partes do corpo podem se disseminar pelo organismo e afetar o peritônio.

Prevenção

As medidas de prevenção estão diretamente relacionadas com os fatores de risco. Assim, os principais caminhos de cuidado são:

  • Prevenir o câncer primário em outros órgãos, já que alguns desses tumores podem se disseminar (gerar metástases) e atingir o peritônio. Além da realização de exames preventivos, como a colonoscopia e a endoscopia, é importante adotar hábitos de vida saudável (alimentação balanceada, atividade física regular, redução no consumo de álcool e abandono do tabagismo, se for fumante).
  • Evitar o contato com o amianto (asbesto).
  • Mulheres com mutação do BRCA1 e BRCA2 podem recorrer a cirurgias profiláticas.

Novidades

Uma das recentes conquistas para o tratamento da carcinomatose peritoneal é a quimioterapia com aerossol intraperitoneal (Quimioterapia Aerossolizada e Pressurizada Intraperitoneal – Pipac). O procedimento envolve a aplicação de spray quimioterápico diretamente sobre o tumor. Agindo localmente sobre as lesões, a técnica evita que o quimioterápico seja injetado na corrente sanguínea. Dessa forma, poupa as células saudáveis e causa menos efeitos colaterais.

A Pipac é usada como um recurso paliativo para tratar pacientes com ascite (barriga d’água) de repetição ou para reduzir o tamanho de tumores, facilitando o procedimento cirúrgico. Neste último caso, a técnica é especialmente útil no tratamento de cânceres gástricos ou de ovários com alta disseminação peritoneal.

Diferenciais BP

Na BP, você será cuidado por uma equipe especializada em doenças peritoneais. São oncologistas clínicos e cirurgiões com larga experiência no enfrentamento da carcinomatose peritoneal. Atuando de forma integrada, eles traçam estratégias personalizadas para cada paciente, manejando todos os recursos atualmente disponíveis para o diagnóstico e tratamento da doença, independentemente do seu estágio de evolução. Cada caso é acompanhado por um grupo de especialistas que se reúne periodicamente para a tomada de decisões.

Na BP, estamos preparados para oferecer todos os tipos de tratamento, inclusive os que envolvem técnicas inovadoras. Fomos um dos primeiros centros oncológicos a realizar a quimioterapia com aerossol intraperitoneal pressurizada (Pipac) no Brasil e ainda somos o único hospital do Estado de São Paulo certificado para realizar esse procedimento (leia mais em Novidades). 

Outro diferencial importante é a nossa equipe multiprofissional (enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, etc.) especializada no tratamento da carcinomatose peritoneal. Para os pacientes, isso significa uma retaguarda estratégica, que fortalece todo o ciclo de cuidado, do pré-operatório até a fase de reabilitação.

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