Asma

Entendendo a doença

A asma é a doença crônica mais comum na infância, caracterizada geralmente por uma inflamação permanente das vias aéreas, o que provoca o estreitamento dos brônquios e compromete a respiração pela dificuldade de passagem do ar durante as crises. Além de perdas de dias de aula e impactos na qualidade de vida da criança, a asma é uma causa importante de atendimentos nos serviços de pronto-socorro e, em casos mais graves, pode exigir hospitalização.

Nos últimos 25 anos, o número de casos da doença dobrou no mundo. No Brasil, estima-se um total aproximado de 20 milhões de asmáticos, entre eles cerca de 1/4 das crianças em idade escolar e 1/5 dos adolescentes.

Em geral, a asma se manifesta logo nos primeiros anos de vida, embora o diagnóstico às vezes seja difícil nessa fase, uma vez que alguns os sintomas são semelhantes aos de outras doenças que acometem crianças mais novas.

As causas da asma ainda são desconhecidas, mas acredita-se que esteja ligada a fatores genéticos e ambientais (veja detalhes em Fatores de Risco). Embora não tenha cura, o tratamento adequado permite prevenir as crises, manter a doença sob controle e levar uma vida normal.


Tipos

Não existem diferentes tipos de asma, mas há uma escala de classificação da doença. A partir da avaliação de critérios como interrupção do sono, necessidade de medicações de resgate para alívio (os broncodilatadores beta-2 agonista), crises, limitação das atividades e valores do exame espirometria (também conhecido como prova de função pulmonar), a asma pode ser classificada em quatro graus:

  • Intermitente
  • Persistente leve
  • Persistente moderada
  • Persistente grave

Sintomas

Os principais sintomas da asma são:

  • Falta de ar ou dificuldade para respirar
  • Sensação de aperto no peito ou peito pesado
  • Chiado no peito ou sibilância (ruído semelhante a um assobio agudo)
  • Tosse

Os sintomas costumam variar durante o dia de acordo com fatores como a realização de atividades físicas, exposição a alérgenos (ácaros, baratas, pelos de animais, etc.), poluição ambiental e mudanças climáticas, entre outros, e podem piorar durante a noite ou de madrugada. Também podem oscilar bastante ao longo do tempo e até desaparecerem sozinhos. Mas é importante destacar: a asma não tem cura, ou seja, mesmo que não haja sintomas, a doença permanece presente e pode se manifestar em outros momentos.


Diagnóstico

Para estabelecer o diagnóstico de asma, os médicos levam em conta os dados levantados na entrevista com o paciente ou com os pais, no caso de crianças menores, durante a consulta (sintomas, histórico, etc.), o exame físico e, sempre que possível, pedem a realização da espirometria (prova de função pulmonar).

Em crianças de até os cinco anos, o diagnóstico é feito somente com base na avaliação clínica devido à dificuldade de realizar exames como a espirometria em pacientes dessa faixa etária.

Nem sempre é possível fechar o diagnóstico nas crianças em idade pré-escolar e nas mais jovens, uma vez que alguns sintomas, como sibilância (ruído de assobio no peito) e tosse, são comuns também em crianças sem asma. Alguns especialistas, contudo, já consideram evidência de asma a ocorrência de mais de três episódios de sibilância no ano.

Nessa fase da vida, é importante identificar os principais agentes que desencadeiam os episódios de sibilância. Exames complementares, como dosagem sérica de imunoglobulinas, hemograma e avaliação de alergia ou teste cutâneno de hipersensibilidade também podem auxiliar no diagnóstico.

Mesmo quando não há um diagnóstico fechado, é fundamental manter o acompanhamento médico para monitorar a evolução do quadro e controlar os sintomas. Nesses casos, a confirmação diagnóstica virá com o seguimento do paciente até a idade escolar ou posterior.


Tratamento

A asma é uma doença bastante heterogênea. Varia de pessoa para pessoa e num mesmo indivíduo. Tem épocas que pode ser muito leve, até com desaparecimento dos sintomas; em outros momentos, pode se agravar muito, exigindo até atendimentos de emergência ou internação. As próprias crises podem variar, com umas mais fortes que as outras.

Por essas razões, o tratamento deve ser individualizado. Em geral, são utilizados dois tipos de medicações:

  • Controladora ou de manutenção: são medicamentos que reduzem a inflamação dos brônquios, diminuindo a ocorrência de sintomas e o risco de crises de asma e evitando a perda futura da capacidade respiratória. Os mais usados são os corticoides inalatórios isolados ou em associação com broncodilatadores de ação prolongada. O uso correto da medicação controladora diminui muito ou até elimina a necessidade de medicação de alívio.
  • De alívio ou resgate: são medicamentos que ajudam a aliviar os sintomas quando ocorre uma piora da asma. Os mais utilizados são os broncodilatadores beta-2 agonista.

Além do tratamento medicamentoso, é fundamental cuidar do ambiente onde a criança vive, com higienização adequada e eliminação de fatores de risco que podem desencadear a crise asmática (veja Fatores de Risco).

O tratamento de menores de 5 anos costuma ser dividido em quatro etapas, com administração, em cada fase, de uma combinação específica de tipos e doses de medicamentos orais e inalatórios. Para crianças entre 6 e 11 anos e adolescentes, a terapêutica inclui mais uma etapa, com adição de outras medicações.

É importante que, a cada etapa, o médico avalie a resposta ao tratamento e, caso necessário, faça ajustes para assegurar a melhoria e controle dos sintomas e prevenir as crises.


Fatores de risco

Os principais fatores de risco para a asma são:

  • Genético (existência de casos da doença na família)
  • Condições ambientais como poeira, infecções virais, mofo, alérgenos como ácaros, barata, pólen, pelo de animais, fumaça de cigarro, irritantes químicos e poluição ambiental, mudanças climáticas e exposição ao ar frio, exercícios físicos vigorosos, estresse emocional e alguns tipos de medicamentos.
  • Obesidade
  • Gênero – a asma atinge mais crianças do sexo masculino

Prevenção

Embora algumas das possíveis causas da asma não possam ser evitadas, como o fator genético, há alguns cuidados que você pode adotar em relação a outros fatores de risco:

  • Evitar que a criança permaneça em ambientes onde há fumantes;
  • Manter o ambiente limpo, sem acúmulo de sujeira ou poeira;
  • Levar a criança para tomar sol em horários seguros (início da manhã e fim da tarde). Isso estimula a produção de vitamina D, que melhora o sistema imunológico e ajuda no combate à asma;
  • Evitar exposição a cheiros fortes;
  • Manter em dia a vacinação contra a gripe;
  • Agasalhar bem a criança na época de frio;
  • Estimular a prática de atividades físicas regularmente (mas evitar que sejam feitas ao ar livre nos dias frios);
  • Oferecer uma alimentação saudável;
  • Garantir que a criança beba bastante água;
  • Assegurar a manutenção do peso ideal da criança. Estudos apontam que a redução de peso em pacientes obesos com asma reflete na melhora da função pulmonar, nos sintomas e na qualidade de vida em geral, ajudando o tratamento.

Novidades

A abordagem terapêutica citada no tópico Tratamento, em etapas alternadas e com combinações de diferentes medicamentos em cada fase, é a mais moderna e eficiente atualmente.


Diferenciais BP

Do diagnóstico ao tratamento, na BP você conta com todos os recursos necessários cuidar da asma dos pequenos. De um lado, está a nossa equipe de Pneumologia Pediátrica, com médicos altamente qualificados e sintonizados com os mais modernos tratamentos disponíveis atualmente. Esses profissionais atuam na avaliação e discussão de casos de pacientes internados, conjuntamente com a equipe da pediatria e outras especialidades, sempre que necessário, e também no atendimento ambulatorial de pacientes que necessitam de acompanhamento com especialista. De outro lado, dispomos de uma completa estrutura de exames diagnósticos laboratoriais e de imagem, inclusive a prova de função pulmonar (espirometria), realizada em crianças a partir de 7 anos.

Outros diferenciais são nossas unidades dedicadas ao atendimento de pacientes pediátricos: o Pronto Socorro Infantil e a ala de internação exclusiva da Pediatria, com ambientes idealizados especialmente para esse público e equipes que combinam competência no cuidado com humanização e acolhimento para a criança e seus familiares.

← Voltar