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Março Azul Marinho: como podemos olhar para o câncer de intestino durante a quarentena e o isolamento social impostos pela pandemia de Covid-19?

Alimentação balanceada e atividade física regular são os principais aliados na prevenção da doença, aponta especialista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo

Publicado em 24 de março de 2021

Muito se fala sobre os efeitos da terapia de reposição hormonal no câncer de mama, sobre os malefícios do hábito do tabaco no câncer de pulmão, mas poucas pessoas têm conhecimento dos fatores que interferem no desenvolvimento do câncer de intestino, o segundo tipo de câncer mais prevalente na população brasileira. Por isso o dia 27 de março foi escolhido como o Dia Nacional de Combate ao Câncer de Intestino, símbolo de prevenção e tratamento da doença.

Essa data está inserida no Março Azul Marinho, mês no qual as atenções se voltam para esse tipo de câncer. Apenas no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), surgem no país 40.990 novos casos por ano, sendo 20.520 em homens e 20.470 em mulheres (dados do triênio 2020-2022). Os números correspondem a um risco estimado de 19,64 casos novos a cada 100 mil homens e 19,03 a cada 100 mil mulheres.

Para aqueles que pensam que o histórico familiar é o único fator para o desenvolvimento da doença, Fábio Kater, oncologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, alerta: “Menos de 15% dos cânceres de intestino são de causa hereditária. A grande maioria é derivada da falta de atividade física, tipo de dieta e obesidade. Obviamente que a chance aumenta se o indivíduo tiver algum parente de 1º grau com essa condição”, afirma o médico. 

Durante a pandemia da Covid-19, o risco de dietas desbalanceadas ocasionadas por muitos pedidos de fast food feitos por aplicativos de delivery aumentou e os exercícios ficaram comprometidos por causa das academias e parques fechados. “Neste cenário é importante ter um olhar mais cuidadoso para a alimentação e procurar alternativas para a prática de atividade física, nem que sejam caminhadas pelas ruas do bairro, mantendo o isolamento e as práticas de segurança contra a doença do novo coronavírus”, explica o especialista. “Isso pode ser determinante para o não desenvolvimento de um câncer de intestino no futuro”, alerta ele.

É bem sabido que a ingestão de carne processada (frios e embutidos) e a de carne vermelha está relacionada ao desenvolvimento do câncer de intestino. Em 2018, o American Institute for Cancer Research (AICR) estabeleceu que o consumo de 50 g ao dia de carnes processadas aumenta em 16% o risco e que o consumo de 100 g de carne vermelha aumenta em 12% o risco de desenvolver câncer de intestino. Por outro lado, segundo uma revisão de estudos e metanálises publicada no periódico Journal of the American Medical Association (Jama), há evidências convincentes de associação entre menor risco de câncer colorretal e maior consumo de fibras, cálcio e iogurte na alimentação, bem como menor consumo de álcool e carne vermelha. O relatório do AICR também indica que ingerir 90 g ou três porções de cereais integrais por dia pode estar associado a uma redução de 17% no risco de câncer colorretal.

A recomendação é que exames periódicos de colonoscopia sejam realizados a partir dos 50 anos. Para garantir um diagnóstico precoce e aumentar as chances de cura, é importante prestar atenção em alguns sinais: presença de sangue nas fezes, mudança repentina no ritmo intestinal, dor abdominal e perda de peso sem explicação lógica. Na dúvida, é sempre importante buscar ajuda médica. “Porém, nesta fase em que estamos isolados em casa, podendo olhar para nós mesmos e reavaliando uma série de coisas, temos a oportunidade de criar melhores hábitos de comportamento que vão render frutos positivos na prevenção do câncer, inclusive o câncer colorretal. A prevenção é sempre o melhor caminho”, conclui o médico da BP.

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