Epilepsias

Entendendo a doença

A epilepsia é um distúrbio químico e elétrico do sistema nervoso central que altera o funcionamento de partes ou do cérebro todo, provocando repetidas crises, caracterizadas por convulsões que podem se manifestar na forma de
alterações motoras, sensoriais e comportamentais, muitas vezes com perda de consciência. Essas manifestações variam conforme a região afetada e precisam ser evitadas, pois podem provocar lesões no cérebro e deixar sequelas.

Estima-se que uma em cada cem pessoas tem crises epilépticas, provocadas por diferentes causas, inclusive genéticas.

Em bebês e crianças, a epilepsia está comumente associada à falta de oxigênio no cérebro durante o parto (anóxia neonatal). Já nos adultos e idosos, existem correlações com consumo de álcool e drogas, acidente vascular cerebral (AVC, também conhecido como derrame), tumores cerebrais, traumas (como pancadas na cabeça) e doenças infecciosas ou neurológicas, entre muitos outros fatores. No Brasil, particularmente nas regiões rurais, existe forte associação entre o distúrbio e a neurocisticercose.

A epilepsia não pode ser confundida com simples convulsões. Para caracterizar a epilepsia, é preciso haver crises recorrentes. Um episódio único não é indicativo da doença. Uma vez comprovada a epilepsia, o tratamento é feito com medicamentos anticonvulsivantes e, em casos selecionados nos quais as medicações não funcionam adequadamente, cirurgia. Em alguns pacientes, as crises desaparecem ao longo do tempo quando tratadas, em outros, é necessário tomar medicamentos a vida toda.


Tipos

As epilepsias podem ser divididas em:

  • Parciais (simples ou desconectivas), quando os sinais elétricos desorganizados são provocados por alterações que se concentram em áreas localizadas do cérebro.
  • Generalizadas, que afetam o órgão como um todo.
  • Parciais com generalização secundária, quando o distúrbio se origina em pontos específicos do cérebro, mas logo se irradia, tomando todo o órgão.

Além disso, as epilepsias podem ser divididas em:

  • Primária, quando a doença está diretamente associada a distúrbios químicos e elétricos do cérebro.
  • Secundária, quando deriva de outro problema que afeta o funcionamento do órgão, como edemas, traumas, tumores e infecções.

Sintomas

As crises epilépticas podem se manifestar de diversas formas, diferenciando-se em função do tipo.

Nas crises generalizadas, pode ocorrer a chamada convulsão tônico-clônica. Quando ela acontece, a pessoa cai no chão e se debate por causa das contrações e dos abalos musculares generalizados, baba devido à salivação excessiva
(sialorreia), morde a língua e, em alguns casos, urina e evacua involuntariamente. Outras crises generalizadas podem apresentar quadros de ausência, marcados pelo olhar parado, como se a pessoa tivesse sido ‘desligada’.

Nas crises parciais simples, o indivíduo não perde a consciência, mas pode ter convulsões em uma parte específica do corpo, formigamentos e descontrole motor. Nas crises parciais desconectivas, tem alterações de consciência e pode apresentar movimentos automáticos e mudanças de comportamento. A pessoa pode, por exemplo, ficar parada e piscando repetidamente ou ficar mastigando sem ter nada na boca.

Existem ainda outros quadros. Exemplos são as chamadas crises mioclônicas, quando a pessoa é tomada por abalos rápidos e movimentos erráticos do corpo. Ao amanhecer, por exemplo, vai escovar os dentes e joga a escova ao léu,
involuntariamente.


Diagnóstico

O diagnóstico da epilepsia exige que o médico neurologista, durante a consulta, converse detalhadamente com o paciente para obter o maior volume possível de informações sobre seu histórico e o padrão de suas crises epiléticas. Como em muitos casos as crises envolvem a perda de consciência, é importante contar também com as descrições de familiares ou pessoas que comumente as presenciem.

O médico também solicitará a realização de exames de imagem (tomografia de crânio e ressonância magnética do cérebro) para descobrir se existem causas secundárias que provocam as crises epilépticas, como edemas, tumores, acidente vascular cerebral ou infecções; e eletroencefalograma (EEG) ou videoeletroencefalograma (vídeo-EEG), que ajudam a identificar a localização do foco epilético no cérebro e qual é seu padrão de irradiação. Em alguns casos, o médico também poderá pedir a realização de exames genéticos.

Identificar o tipo de manifestação da crise epiléptica é fundamental para definir o melhor tratamento.


Tratamento

Na maioria dos casos, o tratamento é feito com medicamentos antiepilépticos indicados pelo médico de acordo com o tipo de epilepsia. Essas medicações, administradas de maneira isolada ou combinada, permitem que grande parte dos pacientes tenha suas crises controladas, mantendo uma vida normal, com pouca ou nenhuma limitação. Mas a rigorosa adesão ao tratamento medicamentoso é essencial para o controle das crises.

Para alguns pacientes que continuam tendo crises a despeito do tratamento com antiepilépticos, pode ser indicada a cirurgia. Essa alternativa é restrita a casos selecionados, visando controlar, reduzir e até abolir as crises. No procedimento, o neurocirurgião retira as áreas comprometidas, orientado por imagens dos exames de ressonância magnética, videoencefalograma e eletrocorticografia intracraniana (ECoG), para garantir que as intervenções não provocarão sequelas no paciente.


Fatores de risco

Existem múltiplos fatores de riscos associados à epilepsia. Os mais comuns são:

  • Falta de oxigenação no cérebro (anóxia cerebral). Pode ser provocada nos bebês durante o parto.
  • Consumo de álcool e drogas.
  • Uso de anestésicos ou antibióticos.
  • Lesões e tumores cerebrais.
  • Traumas físicos, como pancadas e quedas.
  • Acidente vascular cerebral (AVC) e outras doenças cerebrovasculares.
  • Infecções no cérebro provocadas por vírus ou parasitas.
  • Alterações hormonais nas mulheres, que têm mais crises na menopausa ou, a depender do tipo de epilepsia, tendem a ter mais crises durante o período menstrual.
  • Predisposição genética. Pessoas com familiares que têm epilepsia são mais predispostas a desenvolver a doença.

Prevenção

Embora alguns fatores de risco não possam ser evitados, como a predisposição genética, há vários comportamentos e atitudes que ajudam a prevenir a epilepsia.

Os especialistas recomendam:

  • Evitar o consumo de álcool ou de outras drogas e substâncias que modificam o funcionamento do cérebro. O álcool, por exemplo, embora diminua a atividade cerebral, pode desencadear crises epilépticas justamente no momento em que o cérebro tenta reestabelecer o seu padrão normal de atividade logo após o consumo das bebidas, podendo gerar cargas elétricas anormais.
  • Praticar atividade física e evitar o sedentarismo e a obesidade. Uma vida ativa contribui para controlar os fatores de risco de inúmeras doenças associadas à epilepsia. É o caso, por exemplo, da hipertensão arterial e do diabetes, que estão na base de outra doença muito associada às crises epilépticas, o acidente vascular cerebral.
  • Adequado acompanhamento pré-natal e boa assistência no parto. Isso contribui para evitar a anóxia neonatal (falta de oxigenação durante o parto), que pode provocar epilepsia.
  • Manter uma alimentação saudável, cuidando da higiene dos ingredientes e segurança no modo de preparo. A ingestão de água e alimentos contaminados por ovos da tênia pode provocar a cisticercose, infeção do cérebro que pode desencadear crises epiléticas.

Novidades

Medicamentos à base de canabidiol – uma substância extraída da maconha (plantas do gênero Cannabis) – são os mais recentes aliados no tratamento da epilepsia, com bons resultados atestados por pesquisas científicas. Obtidos a
partir de manipulação laboratorial, esses remédios são livres de HCT (tetrahidrocanabinol), o que significa que não têm efeitos psicoativos e seu uso medicinal é completamente seguro em adultos e crianças.

Além disso, novos anticonvulsivantes já lançados nos Estados Unidos devem chegar em breve ao mercado brasileiro. Alguns pertencem a novas classes de medicamentos, mas a maioria são novas formulações de remédios já existentes, porém mais potentes e com menos efeitos colaterais.


Diferenciais BP

Do diagnóstico preciso ao tratamento mais indicado para o seu caso, na BP você encontra todos os recursos humanos e tecnológicos necessários enfrentar a epilepsia.

Um de nossos principais trunfos é a equipe de neurologistas, neurocirurgiões e neurofisiologistas com alto nível de especialização na doença. Além de um centro de excelência no tratamento das epilepsias, somos um polo de pesquisa nessa área, com a realização de estudos elaborados pela própria BP.

Também dispomos de um avançado parque tecnológico para a realização de exames essenciais ao diagnóstico e acompanhamento das epilepsias, como tomografia, ressonância magnética e um dos mais modernos aparelhos de
videoeletroencefalograma (vídeo-EEG).

Tão importante quanto esses elementos é o nosso jeito de cuidar: com acolhimento, atendimento humanizado e 100% de foco no paciente. Nós estamos sempre em movimento, fiéis ao nosso propósito de valorizar a vida. Isso inclui dar o melhor de nós para restabelecer a sua saúde e fazê-lo de modo que você tenha uma boa experiência em nossa Instituição.