Câncer de Vias Biliares

Entendendo a doença

Os cânceres de vias biliares são tumores raros que se formam a partir da multiplicação anormal de células ao longo dos ductos biliares, os canais que drenam a bile do fígado para o intestino delgado. Também conhecidos como colangiocarcinomas, eles correspondem a 3% de todos os tumores do trato gastrointestinal. Apesar de incomuns, apresentam alta letalidade, porque na maioria das vezes são diagnosticados em estágios avançados. Embora possam afetar pessoas de qualquer idade, são mais frequentes a partir dos 50 anos.


Tipos

Os tumores de vias biliares são classificados de acordo com a sua localização, sendo divididos em cânceres intra-hepáticos e extra-hepáticos.

Situados nos ductos dentro do fígado, os tumores de vias biliares intra-hepáticos, também conhecidos como colangiocarcinomas periféricos, são menos frequentes.

Os extra-hepáticos (fora do fígado) incluem os tumores distais, que surgem em ductos mais próximos do intestino delgado, e os tumores peri-hiliares (ou tumores de Klatskin), que ocorrem nas vias biliares mais próximas do fígado.


Sintomas

Os primeiros sintomas costumam aparecer quando o tumor passa a obstruir a drenagem das vias biliares. Os principais são:

  • Icterícia (menos frequente nos cânceres de vias biliares intra-hepáticos)
  • Coceira pelo corpo
  • Dor abdominal
  • Perda de peso
  • Febre
  • Fezes claras e urina escurecida

Diagnóstico

Diante de sinais e sintomas que sugerem a existência de calongiocarcinoma, seu médico provavelmente solicitará exames de imagem, como ultrassonografia mais colangiotomografia computadorizada ou colangiografia por ressonância magnética, que permitem visualizar o trajeto da bile desde o fígado até o duodeno e identificar eventuais obstruções e lesões. O diagnóstico definitivo é confirmado por biópsia.

Com base no tamanho do tumor, eventual existência de gânglios linfáticos acometidos (linfonodos) e presença de metástases (quando o câncer já espalhou para outras partes do corpo), o médico avaliará o estágio da doença. Esse processo, chamado de estadiamento, é importante para orientar a estratégia de tratamento.

Os cânceres de vias biliares podem ser classificados em quatro estádios (estágios):

Estádios I e II: tumores confinados a vias biliares

Estádio III: doença localmente avançada, comprometimento de órgãos adjacentes, como fígado, vesícula biliar, pâncreas ou duodeno

Estádio IV: quando há doença metastática (atingiu órgãos mais distantes).


Tratamento

O tratamento varia de acordo com o estágio da doença. Nas fases iniciais, quando ela é considerada localizada e ressecável (o tumor pode ser removido), o tratamento de escolha é a cirurgia, já que é a única alternativa com objetivo curativo. Em caso de tumor pequeno e localizado, é possível extirpar a parte do ducto onde ele se encontra e religar as duas pontas. No estágio mais avançado de tumores considerados ressecáveis, a cirurgia também serve para extrair os gânglios linfáticos (linfonodo) e/ou tecidos de órgãos vizinhos afetados, como fígado e pâncreas.

De acordo com o caso, e após análise de uma equipe multidisciplinar, podem ser indicados tratamentos adjuvantes, que são os tratamentos complementares realizados depois da cirurgia. Entre eles estão a quimioterapia, a quimioterapia combinada com radioterapia, nova intervenção cirúrgica em caso de resíduos tumorais ou exclusivamente acompanhamento médico.

Quando os tumores são considerados inoperáveis, como alguns casos do estágio III, pode ser indicada a drenagem das vias biliares para restabelecer o fluxo da bile. O procedimento pode ser feito via endoscópia com colocação de stent, percutânea (com uma agulha ou cateter) ou cirúrgica. A drenagem será seguida de tratamento complementar com quimioterapia combinada com radioterapia, quimioterapia isolada ou apenas acompanhamento médico. Quando o paciente responde bem a esse tratamento, poderá rediscutir com seu médico a possibilidade de realização de cirurgia.

Na doença em fase metastática, o tratamento é paliativo. As opções são quimioterapia ou exclusivamente acompanhamento médico.


Fatores de risco

Na maioria dos pacientes não são identificados fatores que predispõem ao câncer de vias biliares. No entanto, alguns quadros que provocam inflamação crônica das vias biliares oferecem risco maior de desenvolvimento da doença. Os principais são:

  • Colangite esclerosante primária (doença inflamatória das vias biliares)
  • Anormalidades congênitas (presente desde o ou antes do nascimento) das vias biliares
  • Infecções parasitárias (principalmente na Ásia)
  • Colelitíase e hepatolitíase (pedra na vesícula)
  • Papilomatose biliar múltipla (doença genética)
  • Doença hepática crônica, como hepatites B e C e cirrose

Prevenção

Não há orientações específicas para a prevenção do câncer de vias biliares. Contudo, procure o seu médico se observar sinais como perda de peso sem causa aparente, dor abdominal e icterícia. A atenção a esses sintomas deve ser redobrada se você tiver alguma doença que provoque inflamação crônica das vias biliares (veja Fatores de Risco).


Novidades

Há vários estudos clínicos sendo realizados no mundo para avaliar o uso de novas drogas ativas no tratamento dos tumores das vias biliares, como o erbitux, S-1, WST-11, calcitriol e ácido octanóico, entre outras. Dependendo dos resultados desses estudos e com comprovação de seus benefícios em termos de maior eficácia e menos efeitos colaterais, essas novas alternativas serão adicionadas ao arsenal terapêutico. Atualmente, ele já inclui novas vitaminas, quimioterápicos e medicações que agem em alvos moleculares específicos, bloqueando ou inativando mecanismos essenciais para a sobrevivência das células malignas (terapia-alvo).

Além de medicamentos, estão sendo estudadas e testadas novas técnicas cirúrgicas que permitem intervenções em tumores antes considerados inoperáveis. Uma nova abordagem cirúrgica que está sendo adotada é o transplante de fígado para o tratamento de cânceres de vias biliares avançados.


Diferenciais BP

Na BP, você contará com todos os recursos para diagnóstico e tratamento do câncer de vias biliares, entre eles o mais importante: médicos especializados nesse tipo raro de tumor, capazes de proporcionar a você os melhores cuidados no enfrentamento da doença. São oncologistas clínicos, gastroenterologistas, cirurgiões gerais e hepatobilipancreáticos, sendo que vários desses profissionais têm participação ativa em importantes estudos e pesquisas de ponta na área.

A esse diferenciado grupo de médicos somam-se uma equipe multiprofissional altamente qualificada e avançadas tecnologias. Dispomos, inclusive, de testes moleculares, que permitem entender melhor as mutações e características do tumor e identificar quais medicamentos são mais indicados para cada caso, considerando sempre maior efetividade e menos efeitos colaterais.

É todo esse conjunto de recursos que colocamos a seu serviço, oferecendo o melhor da medicina de precisão. Isso significa estabelecer uma estratégia de tratamento individualizada e executá-la com o jeito BP de cuidar do paciente: com excelência e segurança na assistência e altas doses de humanização.

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