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BP atinge marca histórica de 1.500 transplantes de medula óssea em 10 anos

A instituição consolida liderança em transplante de medula óssea no Brasil e amplia acesso a terapias celulares avançadas

Publicado em 16 de março de 2026

A BP – Beneficência Portuguesa de São Paulo atingiu a marca histórica de 1.500 transplantes de medula óssea (TMO) realizados ao longo de dez anos de funcionamento do programa. O resultado reforça o papel da instituição como referência nacional em terapias celulares e transplantes hematológicos.

Pelo sétimo ano consecutivo, a BP é apontada como a instituição que mais realiza transplantes de medula óssea na Grande São Paulo e está entre os três centros com maior volume no Brasil.

Somente em 2024 foram realizados 200 procedimentos, enquanto 2025 registrou 235 tratamentos, considerando transplantes de medula óssea e terapias CAR-T para adultos e crianças.

A conquista ocorreu durante o Fevereiro Laranja, mês dedicado à conscientização sobre leucemia e doação de medula óssea, reforçando a importância do cadastro de voluntários no REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea).

Centro de referência em transplante de medula óssea
O programa de Terapia Celular da BP reúne uma estrutura especializada com equipes multidisciplinares, protocolos clínicos avançados e acompanhamento sistemático de resultados.

A instituição oferece todas as modalidades de transplante de medula óssea, incluindo:
• Transplante autólogo (com células do próprio paciente)
• Transplante alogênico aparentado
• Transplante alogênico não aparentado (via bancos de medula ou cordão umbilical)
• Transplante haploidêntico, realizado com doador parcialmente compatível (50%)

Além disso, a BP realiza todas as terapias CAR-T aprovadas no Brasil, consideradas um dos maiores avanços recentes no tratamento de doenças hematológicas malignas.

Segundo Phillip Scheinberg, líder da Hematologia do Centro de Oncologia e Hematologia da BP:
“Estamos muito orgulhosos dessa marca, que reflete a qualidade assistencial e a dedicação de um corpo clínico altamente qualificado. Todos os casos são avaliados por um comitê multidisciplinar em reuniões semanais, garantindo decisões alinhadas às melhores práticas internacionais.”

A instituição mantém quatro ambulatórios dedicados ao transplante de medula óssea, com resultados reportados a bases de dados nacionais e internacionais e apresentados regularmente em congressos científicos no Brasil e no exterior.

Expansão da capacidade assistencial
Em 2026, a BP iniciou a terceira expansão do programa de transplante de medula óssea, ampliando sua infraestrutura hospitalar.

A unidade passará a contar com:
• 44 leitos dedicados ao TMO, incluindo 10 novos leitos privativos
• 7 leitos pressurizados no BP Mirante, equipados com tecnologia de ponta

Essa expansão tem como objetivo aumentar o acesso a tratamentos de alta complexidade e terapias celulares avançadas.

História de superação: paciente aprovado em medicina durante tratamento
Entre os pacientes atendidos pelo programa está Ítalo Cantanhede, jovem paraense de 17 anos que realizou tratamento para anemia aplásica medular severa, uma doença rara que afeta aproximadamente 2,4 pessoas por milhão no Brasil.

Durante o tratamento na BP, Ítalo prestou vestibular e foi aprovado em três universidades públicas para o curso de Medicina.

O caso ganhou repercussão nacional e foi destaque em reportagem publicada na Folha de São Paulo em 1º de março de 2026.

Primeiro CAR-T 100% nacional
A BP integra o maior programa de terapia celular da América Latina, um consórcio formado por instituições de referência como:
• USP (São Paulo e Ribeirão Preto)
• Instituto Butantan
• Unicamp
• Hospital Sírio-Libanês

O grupo desenvolve o primeiro CAR-T totalmente nacional, dentro do projeto NUTERA (Núcleo de Terapia Celular Avançada).

A iniciativa conta com apoio do Ministério da Saúde e do Governo do Estado de São Paulo e busca reduzir significativamente o custo da terapia, atualmente não disponível no SUS.

O estudo clínico envolve 81 pacientes e deve concluir o recrutamento até o final de 2026, seguido de acompanhamento para submissão à Anvisa.

Terapia CAR-T no tratamento de doenças autoimunes
Outra frente de inovação da BP envolve estudos clínicos que investigam o uso de terapias CAR-T no tratamento de doenças autoimunes, como:
• Lúpus
• Esclerose múltipla
• Miosites inflamatórias
• Artrite reumatoide
De acordo com o hematologista Phillip Scheinberg, os resultados iniciais são promissores e podem ampliar o uso da terapia celular além da oncologia.

Impacto social: capacitação nacional via PROADI-SUS
O programa de transplante da BP também contribui para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) por meio do PROADI-SUS, iniciativa realizada em parceria com o Ministério da Saúde.

O projeto atua em três frentes principais:

1. Assistência a pacientes do SUS
Até o momento foram realizados 109 transplantes de medula óssea, incluindo procedimentos autólogos e alogênicos em pacientes adultos e pediátricos.

2. Capacitação técnica de hospitais
Equipes da BP realizam visitas técnicas a 12 centros transplantadores e 8 hospitais de alta complexidade, além de promover programas de imersão para profissionais do SUS.

Mais de 100 profissionais de saúde já participaram dessas atividades.

3. Educação à distância
A plataforma EAD do programa oferece:
• 15 módulos de ensino
• 900 profissionais formados
• 96% de satisfação (NPS)

O objetivo é qualificar equipes multiprofissionais em todo o Brasil e reduzir desigualdades regionais no acesso ao transplante.

Quem precisa de transplante de medula óssea
Segundo a Sociedade Brasileira de Terapia Celular e Transplante de Medula Óssea, mais de 2.500 pacientes aguardavam pelo procedimento no Brasil em 2025.

O transplante pode ser indicado no tratamento de diversas doenças, como:
• Leucemias
• Linfomas
• Aplasia de medula
• Imunodeficiências
• Mieloma múltiplo

Em muitos casos, o procedimento representa a principal chance de cura ou controle da doença.

Como se tornar doador de medula óssea
De acordo com o REDOME, o Brasil possui cerca de 6 milhões de doadores cadastrados, o que representa aproximadamente 3% da população.

Para se tornar doador é necessário:
• Ter entre 18 e 35 anos
• Estar em boas condições de saúde
• Apresentar documento oficial com foto
• Comparecer a um hemocentro para coleta de 10 ml de sangue para exame de compatibilidade genética (HLA)

Caso seja identificado como compatível com um paciente, o voluntário é chamado para avaliação complementar.

Na maioria dos casos, a doação é realizada de forma ambulatorial e sem cirurgia, com riscos mínimos.

Para muitos pacientes, um transplante compatível representa a única chance de vida.