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Coalizão Covid-19 Brasil apresenta resultado de estudo com medicamentos contra o novo coronavírus

Pesquisa feita por grupo de hospitais, rede e instituto de pesquisas brasileiros verificou que o uso de hidroxicloquina, sozinha ou associada com azitromicina, não mostrou efeito favorável na evolução clínica de pacientes adultos hospitalizados com formas leves ou moderadas de Covid-19

Publicado em 31 de julho de 2020

Uma aliança para condução de pesquisas sobre Covid-19 formada por BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Brazilian Clinical Research Institute (BCRI), HCor, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Sírio-Libanês e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), avalia a eficácia e a segurança de potenciais terapias contra essa doença. Denominada Coalizão Covid-19 Brasil, a iniciativa conduz atualmente nove estudos voltados a diferentes populações de pacientes infectados pelo novo coronavírus.

A primeira pesquisa, nomeada Coalizão I, avaliou se a hidroxicloroquina associada ou não à azitromicina, poderia trazer benefícios a pacientes adultos hospitalizados com formas leves a moderadas de Covid-19. Os resultados do estudo foram reunidos num artigo publicado no The New England Journal of Medicine, um dos mais importantes periódicos científicos do mundo, e apontaram que a utilização de hidroxicloroquina ou azitromicina não promoveu melhoria na evolução clínica dos pacientes.

O estudo contou com apoio da farmacêutica EMS, que forneceu os medicamentos, e foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O estudo

O estudo Coalizão I teve início no dia 29/3/2020, com inclusão do último paciente em 17/5/2020 e seguimento clínico finalizado em 2/6/2020. Foram incluídos 667 pacientes com quadros leves ou moderados (que não precisavam de oxigênio ou precisavam de, no máximo, 4 litros por minuto de oxigênio suplementar) em 55 hospitais brasileiros. Por meio de randomização (sorteio) os pacientes receberam: a) combinação de hidroxicloroquina, azitromicina mais suporte clínico padrão (217 pacientes); b) hidroxicloroquina mais suporte clínico padrão (221 pacientes); ou c) apenas suporte clínico padrão (grupo controle, 227 pacientes). A hidroxicloroquina foi usada durante 7 dias na dose de 400 mg a cada 12 horas e a azitromicina 500 mg a cada 24 horas, por 7 dias. O suporte clínico padrão foi de acordo com a equipe médica que assistia os pacientes, mas não poderia incluir hidroxicloroquina ou azitromicina. 

A avaliação do efeito do tratamento com hidroxicloroquina, com ou sem azitromicina, considerou como resultado principal o status clínico dos pacientes 15 dias após a inclusão. O status clínico foi caracterizado em 7 níveis, do melhor para o pior: 1) paciente em casa sem limitações para as atividades habituais; 2) paciente em casa com limitações para as atividades habituais; 3) paciente hospitalizado sem necessidade de oxigênio; 4) pacientes hospitalizado com necessidade de oxigênio; 5) pacientes hospitalizado necessitando de ventilação mecânica não invasiva ou cânula de alto fluxo; 6) paciente hospitalizado necessitando de ventilação mecânica invasiva; e 7) óbito.

Os resultados

O status clínico aos 15 dias foi similar nos grupos tratados com hidroxicloroquina e azitromicina, hidroxicloroquina isolada e no grupo controle.

Por exemplo: após 15 dias estavam em casa sem limitações respiratórias: 

- 69% dos pacientes do grupo hidroxicloroquina + azitromicina + suporte clínico padrão;

- 64% dos pacientes do grupo hidroxicloroquina + suporte clínico padrão;

- 68% dos pacientes do grupo suporte clínico padrão.

O número de óbitos em 15 dias foi semelhante entre os grupos, em torno de 3%.

Efeitos adversos

No que diz respeito aos efeitos adversos, a pesquisa evidenciou dois pontos que merecem destaque: 

1) Alterações em exames de eletrocardiograma (aumento do intervalo QT, que representa maior risco para arritmias) foi mais frequente nos grupos que utilizaram hidroxicloroquina, com ou sem azitromicina, comparada ao grupo que recebeu apenas suporte padrão.

2) Alteração de exames que podem representar lesão hepática (aumento de enzimas TGO e TGP no sangue) foi mais frequente nos grupos que utilizaram hidroxicloroquina, com ou sem azitromicina, comparada ao grupo que recebeu apenas suporte padrão.

Não houve diferenças para outros eventos adversos como arritmias ou problemas hepáticos graves, entre outros.

 

 

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