Câncer de Próstata

Entendendo a doença

O câncer de próstata é o tumor mais comum na população masculina. Afeta principalmente homens com mais de 50 anos e apresenta incidência e agressividade um pouco maiores entre os negros. No Brasil, são cerca de 60 mil novos casos a cada ano.

Localizada abaixo da bexiga e à frente do reto (parte final do intestino), a próstata é a glândula que produz o líquido seminal (um dos componentes do esperma).

Geralmente, o câncer de próstata cresce lentamente e, nas fases iniciais, pode ficar confinado a essa glândula, exigindo tratamentos menos complexos ou simples acompanhamento. No entanto, há tipos de tumores mais agressivos, que podem se espalhar rapidamente para outros órgãos. Por isso, a detecção e o tratamento precoces são fundamentais. Tumores detectados quando ainda estão confiados à próstata têm mais chances de cura.


Tipos

O tipo de câncer de próstata mais comum é o adenocarcinoma acinar usual, que se origina no tecido glandular e responde por 90% a 95% dos casos.

Há, porém, tipos mais raros. Dentre estes, o principal é o neuroendócrino, que se forma nas células endócrinas e neurais da próstata. É um tipo de câncer bastante agressivo, com história, evolução e tratamento distintos dos demais. Um agravante: normalmente, esse tipo de câncer não é detectado nos exames de PSA.


Sintomas

Na fase inicial, o câncer de próstata geralmente não apresenta sintomas. E, quando presentes, são semelhantes aos observados nos casos de crescimento benigno da próstata (hiperplasia benigna prostática). Entre eles estão:

  • dificuldade de urinar
  • necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite
  • diminuição do jato de urina
  • sangramento e/ou ardência para urinar

Nas fases mais avançadas, o câncer de próstata pode provocar dor óssea, um sinal de que já se espalhou para estruturas como o quadril e coluna ou qualquer osso do corpo. Também nesses casos pode haver sintomas urinários e, em quadros mais graves, infecção generalizada ou insuficiência renal.


Diagnóstico

A identificação do câncer de próstata está baseada em três frentes diagnósticas, que podem ser combinadas e complementares:

  • Dosagem de PSA: é um exame de sangue que avalia a quantidade do antígeno prostático específico (Prostate-Specific Antigens). Na maioria dos homens, o nível de PSA permanece abaixo de 4 nanogramas por mililitro (ng /mL) de sangue. Contudo, há casos de pacientes que têm um tumor maligno e, mesmo assim, apresentam nível de PSA normal. Nestes casos, a doença pode ser até mais agressiva. Por essa razão, os especialistas recomendam que a medição da concentração de PSA, geralmente realizada no início das investigações médicas, seja combinada com outros recursos diagnósticos (veja indicações de realização do exame de PSA em Prevenção).
  • Toque retal: o exame é rápido (cerca de 15 segundos) e indolor. Com o dedo protegido por uma luva lubrificada, o médico consegue tocar a próstata e verificar a existência de nódulos (caroços) ou tecidos endurecidos que podem ser indicadores da doença em estágios iniciais. Além de mais barato, o exame de toque retal é mais efetivo que a dosagem de PSA.
  • Biópsia da próstata: esse exame confirma (ou não) o diagnóstico de câncer. Uma das informações mais importantes propiciadas pela biópsia é o escore de Gleason, uma pontuação que indica quão agressivo é o tumor, o que ajuda na tomada de decisão sobre o tratamento mais indicado.

Importante: nem a dosagem de PSA, nem o toque retal são exames 100% conclusivos. A biópsia é o único procedimento capaz de confirmar o câncer.

Levando em consideração as características do tumor, o nível de PSA e o escore de Gleason, o médico avaliará o estágio da doença. Esse processo, chamado de estadiamento, permite classificar os pacientes entre risco baixo, intermediário ou alto. Em geral, tumores pequenos, com PSA baixo e escore de Gleason baixo são de risco baixo. O contrário pode indicar uma doença de risco alto.

No processo de investigação, e dependendo do grupo de risco e sintomas, seu médico poderá solicitar exames de imagem para checar a existência de metástases. Um exame comumente pedido é a cintilografia óssea, que visa identificar possíveis metástases ósseas. Outros exames, como a tomografia ou a ressonância magnética do abdome e pelve, também podem ser úteis no diagnóstico de metástases e colaboram no estadiamento da doença.


Tratamento

O tratamento do câncer de próstata localizado (quando o tumor não atingiu outras partes do corpo) deve ser individualizado. É importante conversar com o médico sobre as alternativas de tratamento e os riscos e benefícios de cada uma para definir a melhor estratégia para o seu caso.

Há várias opções de tratamento do câncer de próstata localizado. Elas vão desde a simples observação clínica, com acompanhamento regular do paciente por meio de consultas e exames, até intervenções com objetivo curativo, como a cirurgia radical (remoção da próstata) ou radioterapia.

A escolha entre cirurgia radical e radioterapia deve ser discutida criteriosamente com a equipe que está cuidando do caso – urologista, radioterapeuta e oncologista clínico –, levando sempre em consideração o estágio do câncer.

Em alguns casos, quando a escolha recai sobre a radioterapia, pode ser necessária a administração de medicamentos hormonais, a fim de aumentar sua eficácia. Dependendo do perfil da doença e do paciente, pode ser adotada uma abordagem multimodal, combinando mais de uma modalidade de tratamento.

Em alguns pacientes com tumor de baixo risco criteriosamente selecionados pode ser utilizada uma estratégia de observação baseada em consultas médicas e exames periódicos.

Quando o câncer de próstata se espalha para outras partes do corpo (fase metastática), o principal tratamento é a manipulação hormonal, com o objetivo de diminuir os níveis de testosterona, hormônio que serve como alimento para o tumor. Essa intervenção hormonal pode ser feita com a administração de medicamentos ou a realização de cirurgia nos testículos. Esse tratamento normalmente apresenta grau elevado de eficácia e longo tempo de duração. Quando ocorre progressão do tumor mesmo com o tratamento baseado em manipulação hormonal, pode ser necessária a administração de outros medicamentos (novos remédios de manipulação hormonal e quimioterapia). Para pacientes com dor acentuada em algum osso, a radioterapia no local é indicada, pois ajuda a minimizá-la.


Fatores de risco

  • Os principais fatores de risco associados ao câncer de próstata são:
  • Idade: à medida que envelhece, o homem fica mais exposto ao risco de desenvolver o câncer da próstata.
  • História familiar: quem tem um parente de primeiro grau (pai ou irmão) com histórico de câncer de próstata apresenta risco duas vezes maior de desenvolver a doença. O risco sobe para cinco vezes quando são dois familiares de primeiro grau com tumor de próstata.
  • Grupo étnico: homens negros apresentam risco discretamente maior de desenvolver a doença e ter tumores mais agressivos.
  • Obesidade: homens obesos estão mais expostos ao risco de ter câncer de próstata avançado.

Prevenção

Hábitos saudáveis e uma estratégia para o rastreamento (check-up) da doença são os melhores caminhos a seguir.

O rastreamento e detecção precoce são feitos por meio da medição dos níveis de PSA no sangue, exame de toque retal e biópsia nos casos indicados.

Atualmente, existe uma grande controvérsia em torno da realização desses exames de rotina em todos os homens. O fato é que o rastreamento com PSA e o toque retal permitiram aumentar o número de diagnósticos precoces, mas, até hoje, os resultados dos estudos são divergentes quanto a um impacto significativo na redução da mortalidade: alguns observam essa diminuição, outros não. Isso pode estar relacionado com o grande número de pacientes que são diagnosticados com tumores muito precoces e que, possivelmente, não viriam a desenvolver sintomas do câncer de próstata, nem falecer em decorrência da doença. Assim, até que novos estudos estejam disponíveis, o consenso médico recomenda que todos os homens, entre 50 e 75 anos, façam exames de rastreamento (dosagem do PSA e toque retal) a cada um ou dois anos. Caso exista histórico familiar relacionado ao câncer de próstata, o ideal é começar antes, aos 40-45 anos.


Novidades

Novos medicamentos vêm sendo estudados para o tratamento do câncer de próstata. Eles visam combater o câncer por meio de diferentes mecanismos, como a manipulação hormonal, quimioterapia, terapia-alvo dirigida (que se fundamenta no bloqueio do alvo-molecular celular, a fim de destruir a célula tumoral), medicina nuclear e vacinas.

A abiraterona e a enzalutamida são os principais novos medicamentos aprovados que visam bloquear a produção ou ação da testosterona em indivíduos cujos tratamentos de manipulação hormonal e quimioterapias prévias falharam. Novas gerações de quimioterápicos também foram recentemente aprovados para o tratamento de pacientes que não obtiveram respostas satisfatórias com outras medicações.

Medicamentos que despontam como promissores são o Rádio-223, que é um isótono radioativo que ataca as lesões metastáticas nos ossos; o cabozantinibe, que ataca proteínas nas células tumorais (VEGFR-2 e cMET) responsáveis pela agressividade do tumor; e as vacinas, que visam a melhorar a resposta do sistema imunológico dos pacientes contra o tumor.


Diferenciais BP

Na BP, você conta com um centro especializado no tratamento do câncer de próstata, com equipes altamente qualificadas, protocolos médicos auditados por instituições nacionais e internacionais e recursos tecnológicos de última geração. Somos, por exemplo, a primeira instituição da América Latina a contar com um sistema robótico Da Vinci Xi® acoplado à mesa de cirurgia, o que permite realizar procedimentos mais complexos. Outro diferencial é o nosso exclusivo programa de reabilitação, que proporciona todo o suporte para retomar a vida depois do tratamento oncológico.

Nosso time inclui oncologistas clínicos, cirurgiões, radioterapeutas e equipe de suporte multiprofissional. Além da atividade assistencial, vários de nossos profissionais estão engajados em pesquisas de ponta nessa área da oncologia.

Sempre pautados pela abordagem humanizada que faz parte do jeito de ser BP, nossos especialistas estarão ao seu lado em todos os momentos, buscando os melhores caminhos para superar a doença.

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