Qual a gravidade das arritmias cardíacas?

Algumas oferecem baixo potencial de risco aos portadores. Outras podem levar a complicações graves, como AVC, parada cardíaca e morte súbita.


Provocadas por disfunções no sistema elétrico natural que controla o ritmo das batidas do coração, as arritmias cardíacas podem ter diversos níveis de gravidade, levando os médicos a diferenciá-las em dois grupos: as benignas, com baixo potencial de gerar maiores complicações, e as potencialmente malignas, que podem provocar uma parada do coração, um acidente vascular cerebral (AVC) e até morte súbita. Sejam quais forem, é fundamental que seus portadores sejam avaliados por cardiologistas especializados para estratificação dos riscos e definição da conduta a ser adotada de acordo com a gravidade de cada caso.


As arritmias benignas, que não apresentam sintomas relevantes nem atrapalham o funcionamento do coração, podem ser apenas monitoradas por meio de consultas periódicas. Usualmente, elas ocorrem em corações estruturalmente normais. Já as potencialmente malignas são frequentes em corações que já foram afetados por processos inflamatórios, infecções como Doença de Chagas, infarto, dilatações e doenças valvulares, entre outros problemas. Estas exigem tratamento, que pode envolver medicamentos, uso de marca-passo, ablação (cauterização de regiões geradoras de arritmias) e desfibriladores (versões mais sofisticadas dos marca-passos que têm a capacidade de aplicar choques no coração visando reverter paradas cardíacas).


Existem ainda algumas arritmias que acometem corações aparentemente normais, mas que são malignas. É o caso das arritmias associadas às síndromes genéticas, como a síndrome do QT longo, cardiomiopatia hipertrófica, síndrome do QT curto e síndrome de Brugada. Esses pacientes já nascem com mutações gênicas que modificam o funcionamento das células do músculo do coração (miocárdio), especialmente no miocárdio ventricular. Um dos seus maiores risco é a morte súbita provocada por fibrilações ventriculares (movimentos descoordenados de contração dos ventrículos).


Atenção individualizada
É importante que o portador de arritmia seja avaliado inicialmente por um cardiologista e, quando necessário, contar também com o parecer de um profissional da Ritmologia, subespecialidade da Cardiologia dedicada ao diagnóstico e tratamento das arritmias. Esse é o caminho para garantir condutas terapêuticas personalizadas e adequadas para cada caso, uma vez que não se pode generalizar o tratamento das arritmias.


Além dos problemas cardíacos que levam à arritmia, a definição do tratamento também leva em conta o tipo de alteração nos batimentos do coração, que em condições normais bate de 60 a 100 vezes por minuto quando o paciente está acordado em repouso. De forma geral, os especialistas separam as arritmias em três grandes tipos:


• Extra-sístoles: caracterizadas por falhas intermitentes nas batidas do coração, elas são percebidas pelos pacientes como palpitações. Nessas situações, áreas específicas do coração produzem batimentos fora de compasso, interrompendo a sincronicidade das batidas cardíacas. Quando ocorrem na parte alta do coração são chamadas arritmias extra-sístoles atriais (disfunções que acometem os átrios); na parte baixa, arritmias extra-sístoles ventriculares (os problemas surgem nos ventrículos).
• Bradiarritmias: disfunções no sistema elétrico do coração que o fazem funcionar em ritmo mais lento (menos de 60 batimentos por minuto). Várias doenças podem provocar as bradiarritmias, multiplicando seus subtipos. Por exemplo, quando há problemas de condução do impulso elétrico na parede muscular do coração, mesmo que ele tenha sido corretamente gerado pelo seu sistema elétrico, configura-se o bloqueio atrioventricular, causando a lentificação do ritmo cardíaco.
• Taquiarritmias ou taquicardias: aceleração das batidas cardíacas (mais de 100 vezes por minuto). Elas podem ser provocadas por mais de duas dezenas de síndromes cardíacas, que dão origem a formas específicas de taquiarritmia.

Fonte: José Tarcísio Medeiros de Vasconcelos – CRM/SP 53.677
Data de produção: 16/02/24
Data da última atualização: 20/02/24

Veja Também

Acesse artigos e conteúdos exclusivos com dicas e informações para cuidar da sua saúde.

Confira todos os nossos artigos