Doenças neurológicas imunomediadas
O que são doenças neurológicas imunomediadas?
São enfermidades que ocorrem quando o próprio sistema imunológico da pessoa passa a atacar as células nervosas, podendo afetar várias estruturas do sistema nervoso – do cérebro até junções neuromusculares e músculos.
As doenças neurológicas imunomediadas, também chamadas de autoimunes, reúnem um vasto grupo de enfermidades neurológicas inflamatórias que têm um traço em comum: surgem porque o próprio sistema imunológico do paciente passa a atacar suas células como se elas fossem corpos estranhos ao organismo. Algumas bem raras, outras mais frequentes, essas doenças podem afetar o sistema nervoso central, atingindo o cérebro e a medula, ou o sistema nervoso periférico, lesando nervos, junções neuromusculares e até músculos.
Entre as principais doenças imunomediadas estão:
Esclerose múltipla, que provoca danos no sistema nervoso central.
Polimiosite e dermatomiosite, que causam danos nos músculos.
Síndrome de Guillain-Barré, que acomete nervos periféricos.
Polineuropatia desmielinizante inflamatória crônica, que afeta as raízes dos nervos das pernas e dos braços.
Doença de Devic, também conhecida como neuromielite óptica, associada a inflamações da medula espinhal e dos nervos ópticos.
Encefalites autoimunes.
Miastenia gravis, que afeta a transmissão neuromuscular.
Em relação a muitas doenças neurológicas imunomediadas, a ciência tem apenas hipóteses para explicar a causa da má interação entre os sistemas nervoso e imunológico. Sempre expressas por processos inflamatórios, podem causar lesões reversíveis ou não em várias estruturas nervosas.
Algumas dessas enfermidades podem ocorrer após infecções por vírus, bactérias e fungos. Mas não são esses agentes infecciosos que provocam a doença. Nesses casos, eles atuam como gatilhos que levam ao mau funcionamento do sistema imune, como no caso da Síndrome de Guillain-Barré. Diante da infecção, o organismo interpreta mal qual seria o agente patogênico invasor e cria exércitos de anticorpos quimicamente programados para atacar as células do sistema nervoso. É como se organismo construísse células e anticorpos e lançasse mísseis sobre o próprio sistema nervoso supondo que estaria enfrentando um corpo estranho. Apesar de serem eventos bastante incomuns em escala populacional, até vacinações podem desencadear reações do gênero.
Os sintomas desse diversificado conjunto de doenças também são muito variados, incluindo déficits motores, alterações de sensibilidade, formigamentos, desequilíbrio, perda de visão, fadiga, espasmos musculares, incontinência urinária e até impactos cognitivos, como dificuldade de atenção e perda de memória.
Para o diagnóstico, os médicos, inclusive da área de neurologia, se valem, além de detalhada análise clínica do paciente, de uma série de recursos, como exames laboratoriais, pesquisa de anticorpos em líquor (substância líquida que nutre e protege o cérebro, extraída a partir de punção na espinha dorsal), imagens de ressonância magnética e eletroneuromiografia, está especialmente útil para identificação de doenças neurológicas que afetam o sistema nervoso periférico. Para cada conjunto de sintomas e suspeitas de doenças, os neurologistas recorrem a uma combinação de ferramentas diagnósticas.
Algumas das doenças auto-imunes são bem difíceis de serem diagnosticadas. Nas vasculites do sistema nervoso central, por exemplo, é necessário recorrer à angiografia, tecnologia que combina cateter e raios X para avaliar a anatomia e a circulação nos vasos sanguíneos do encéfalo a fim de detectar anormalidades que estejam comprometendo a irrigação cerebral.
Vários tipos de medicamentos podem ser usados no tratamento das doenças neurológicas autoimunes, entre eles:
Imunoglobulinas imunomodulador – anticorpos (proteínas) que visam equilibrar o funcionamento do sistema imunológico.
Corticóides e outras classes de imunossupressores – direcionados a reduzir os níveis de atividade do sistema autoimune.
Anticorpos monoclonais – inovação que chegou como alternativa para debelar os processos inflamatórios.
Além do tratamento medicamentoso, algumas doenças exigem reabilitação física conduzida por equipes multiprofissionais a fim de reparar déficits neurológicos. Podem participar dessa frente de tratamento fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e neuropsicólogos.
Ainda não existem estratégias de prevenção das doenças neurológicas imunomediadas. Porém, é importante saber que pessoas que têm histórico familiar associado a essas enfermidades estão mais expostas a elas. Pacientes que têm alguma dessas doenças também têm mais chances de desenvolver outro tipo de problema do gênero.
Fonte: : Alex Machado Baêta – CRM/SP 60.429
Data da última atualização: 07/07/2023




