Cuidados pré-operatórios para câncer de pulmão

O câncer de pulmão é o terceiro tipo de tumor maligno mais comum entre os homens e o quarto entre as mulheres no Brasil. A cirurgia é a abordagem mais efetiva para esse tipo de tumor maligno quando detectado em estágios iniciais. Essa modalidade de tratamento cuidados prévios que contribuem para que seja bem-sucedida.

A escolha do tipo de cirurgia – segmentectomia (remoção de segmentos), lobectomia (extração de um lobo do pulmão) ou pneumonectomia (extração de um dos pulmões) depende do estágio do tumor e da condição clínica do paciente. Antes do procedimento, todos passam por rigorosa avaliação de sua capacidade respiratória e cardiológica.

A primeira é baseada na prova de função pulmonar (espirometria), teste que mede o fluxo de ar que entra e sai do pulmão, podendo ser ou não associado ao teste de difusão do monóxido de carbono (exame DLCO). O resultado dá ao médico parâmetros de até quanto de tecido pulmonar pode ser retirado com segurança. Já o teste ergométrico ou outros métodos de avaliação cardiovascular que medem o impacto do estresse físico sobre o coração permitem avaliar se, do ponto de vista cardiológico, o paciente pode ser submetido à cirurgia.

Apesar de o fator tempo ser vital para o tratamento do câncer de pulmão, não é incomum que os pacientes precisem adiar a cirurgia para serem tratados de condições clínicas prévias que impedem a realização do procedimento imediatamente. Essa situação é frequente entre os fumantes.

Limitações pulmonares, como as observadas em pacientes com enfisema, podem ser corrigidas ou minimizadas com reabilitação respiratória, envolvendo sessões de fisioterapia para aumentar a massa muscular do tórax.

Para os tabagistas, a cessação do fumo de seis a oito semanas antes da operação é fundamental. Pesquisas científicas atestam que a medida diminui a morbidade da cirurgia em pelo menos 80%. Para ajudar o paciente a parar de fumar, podem ser indicados adesivos de nicotina e/ou antidepressivos, além de medidas comportamentais similares às recomendadas nos programas de cessação de tabagismo, como a retirada de cinzeiros da casa e de qualquer objeto diretamente associado ao fumo e até a lavagem de cortinas e tapetes que possam estar impregnados com o cheiro de tabaco.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), este ano serão registrados 17.760 novos casos entre os homens e 12.440 entre as mulheres. A taxa de incidência vem diminuindo desde meados da década de 1980 entre homens e desde meados dos anos 2000 entre as mulheres, principalmente pelo sucesso das ações de saúde pública antitabagistas.

Mas muitas vidas ainda podem ser salvas, levando em conta que a cirurgia, medida terapêutica resolutiva, é indicada apenas quando a doença é diagnosticada precocemente, o que não é a realidade da maioria dos pacientes no Brasil. O fato é que abandonar o fumo continua sendo a melhor alternativa para prevenir o câncer de pulmão, que é uma das principais causas de morte evitáveis do mundo.

Fonte: Alexandre Oliveira - CRM/SP 82.598

Data de produção: 30/09/2022

Data da última atualização: 04/10/2022

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