Dieta para minimizar os efeitos colaterais da quimioterapia
Alimentação adequada ajuda a minimizar efeitos da quimioterapia contra o câncer de mama
Além disso, o organismo bem nutrido contribui para o tratamento e para manter o peso sob controle.
No enfrentamento do câncer de mama, a alimentação é importante aliada para uma melhor resposta ao tratamento e para reduzir os efeitos colaterais da quimioterapia quando esta é necessária. A dieta adequada, orientada por nutricionista, supre o organismo dos nutrientes que atuarão no sistema imunológico da paciente, além de fortalecer a massa muscular, que ajuda a diminuir a toxicidade da quimioterapia, contribuindo, portanto, para a qualidade de vida da paciente durante o período. Perda de massa muscular pode potencializar os efeitos colaterais.
Náuseas, mudanças no paladar e no hábito intestinal estão entre os problemas mais comuns que podem ter seu controle atrelado ao cardápio, que vai sendo ajustado conforme os sintomas surgem ou desaparecem.
Nutrientes necessários
O programa de alimentação pode variar de acordo com o tipo de tratamento e a resposta individualizada de cada paciente, mas geralmente é baseado em a. É importante que os vegetais sejam frescos e da época, pois são mais ricos em vitaminas e demais nutrientes.
O período de tratamento quimioterápico exige um maior consumo de proteínas, de preferência um mix de origem vegetal (encontrada em feijões, castanhas, lentilha e grão de pico, entre outros) e de origem animal, priorizando carnes brancas, como aves e peixes. Em relação às carnes vermelhas (boi, porco, cordeiro, etc.), a recomendação é restringir sua ingestão a um máximo de 500 gramas semanais, distribuídas em duas ou três vezes refeições no período. Vegetarianas e veganas podem manter sua dieta, desde que garantindo ingestão rica de proteínas vegetais.
Embora não tenham relação direta com os efeitos da quimioterapia ou na resposta ao tratamento, alguns alimentos comprovadamente benéficos para prevenção do câncer são bastante estimulados. Entre eles, estão couve-flor, brócolis, couve e repolho, ricos em compostos anticancerígenos, assim como vegetais de cor verde escura, como rúcula e agrião, também ricos em ferro e magnésio.
A ideia é formatar uma dieta equilibrada e saudável, pensando também na reeducação alimentar da paciente e que possa ser mantida após o fim da quimioterapia e após a alta médica. Por isso, não existem proibições, mas recomendações para reduzir o consumo de alimentos industrializados, processados e ricos em açúcar. Podem, por exemplo, ser uma opção semanal, mas nunca substituindo um alimento saudável indicado na dieta nutricional.
Não gosta? Sente enjoo?
Sempre tem quem não goste de um ou outro alimento recomendado pelo nutricionista. O que fazer, por exemplo, se a paciente não aprecia brócolis? Inicialmente, o ingrediente pode ser substituído por outro com propriedades nutricionais semelhantes, como a couve-flor. Se a resistência é por determinada família de vegetais, a sugestão é consumi-los em um preparo junto com outros alimentos, como em uma sopa de legumes ou de carne, uma omelete caprichada ou em forma de suco. O sabor também pode ser trabalhado com ervas, pimenta-do-reino e outros temperos.
Uma boa hidratação é quesito importante durante todo o tratamento e também ajuda a minimizar a aversão a determinado alimento, que pode ser, inclusive, um efeito colateral da quimioterapia, assim como alterações no paladar. Aqui, as dicas são: ingerir líquidos gelados, preferencialmente água (normal ou aromatizada) e sucos; frutas com caldo, como laranja e melancia; e refeições em forma de caldos. Quanto maior a hidratação, melhor a percepção real do gosto dos alimentos.
A náusea, outro efeito colateral comum da quimioterapia, que pode ocorrer em diferentes graus, de acordo com o tratamento e a resposta individual de cada organismo, costuma ser desencadeada por aromas fortes, presença de gordura (alimentos fritos, por exemplo) ou refeições mais secas. Frutas e outros alimentos frescos e sorvetes ajudam a driblar o enjoo e, se necessário, poderá ser indicado um medicamento apropriado. Já em casos de mudança do hábito intestinal, seja constipação ou diarreia, o nutricionista adequará a dieta de acordo com a necessidade.
De olho na balança
Alguns remédios utilizados para o controle dos efeitos da quimioterapia podem causar aumento de apetite. A manutenção do peso é uma preocupação da equipe médica durante e após o tratamento, já que estudos relacionam o ganho de peso exagerado ao maior risco de retorno da doença.
O ideal é que a dieta saudável adotada na quimioterapia se torne a bússola de um novo estilo de vida também depois da alta médica. É importante, então, incorporar hábitos que ajudam no controle do apetite, como fazer refeições menores, mais vezes ao dia, evitando a ingestão de grande quantidade de alimentos de uma só vez. O recomendável é fazer pequenos lanches entre café da amanhã, almoço e jantar, evitando grande quantidade de líquidos durante ou logo depois de uma refeição.
Outra dica para controlar o apetite é privilegiar o consumo de proteínas e frutas em detrimento dos carboidratos simples, como açúcar, doces e pães brancos. Estes podem ser substituídos pelas versões integrais e associados a outro alimento. Uma fatia de pão integral com uma fatia de queijo branco, por exemplo, é mais saudável e produz mais sensação de saciedade do que ingerir um biscoito ou bolacha.
É sempre preferível optar por alimentos naturais e menos calóricos, mas também não é preciso privar-se de uma guloseima vez ou outra. Aí também é possível fazer melhores escolhas. Em vez de um pedaço de bolo industrializado, prefira um feito em casa. É mais gostoso e saudável.
Opções de cardápio saudável
Mariana Ferrari Fernandes dos Santos, nutricionista da BP, preparou algumas opções de refeições saudáveis que podem fazer parte do cardápio das pacientes em quimioterapia para o câncer de mama. Confira.
Desjejum
Opção 1 - Pão de fermentação natural integral com ovos mexidos com azeite, folhas de espinafre e tomate, mamão com aveia e linhaça e café com leite.
Opção 2 - Iogurte natural batido com morangos, banana e mel, granola com castanhas e café preto.
Opção 3 - Chá de ervas, pão francês com queijo branco e salada de frutas com linhaça.
Lanche da manhã
Opção 1 - 1 maçã média
Opção 2 - Mix de castanhas com frutas secas
Opção 3 - Salada de frutas com iogurte natural
Almoço
Opção 1 - Arroz branco com brócolis, lentilhas, filé de frango grelhado, berinjela ao forno e salada de alface com cenoura ralada. Sobremesa: melão.
Opção 2 - Arroz integral com cúrcuma, salada de feijão fradinho vinagrete, omelete de forno com legumes e salada de folhas com tomate seco e muçarela de búfala. Sobremesa: chocolate 70% cacau.
Opção 3 - Arroz integral, feijão preto, couve refogada, bife grelhado, abobrinha refogada e salada de alface e tomate. Sobremesa: laranja picada.
Lanche da tarde
Opção 1 - Café preto com pão de queijo com grãos e uma porção de fruta.
Opção 2 - Overnight oats de frutas vermelhas (mistura de aveia com água, leite ou iogurte e outro alimento, como fruta, que fica em descansando por algumas horas).
Opção 3 - Chá de ervas, ovos mexidos e torradas integrais + geleia de frutas sem açúcar.
Jantar
Opção 1 - Cuscuz marroquino com vagem, cenoura, salsa, azeite e amêndoas, sobrecoxa de frango, couve-flor no vapor, salada de rúcula com palmito. Sobremesa: morangos.
Opção 2 - Panqueca integral de ricota com tomate seco e molho sugo, legumes ao forno (brócolis, abóbora, cebola roxa). Sobremesa: abacaxi.
Opção 3 - Sopa de abóbora com grão de bico e abobrinha, bruscheta de shimeji. Sobremesa: kiwi.
Fonte: Mariana Ferrari Fernandes dos Santos
Data de produção: 30/08/22
Data da última atualização: 31/08/22




