Fevereiro Laranja, mês de conscientização sobre as leucemias
Campanha alerta sobre a importância de prestar atenção nos sintomas dessa doença, que afeta as células da medula óssea, e buscar diagnóstico e tratamento precoces; o resultado do hemograma ajuda a identificar sinais de alerta para a presença da doença
A cada ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil registra mais de 10 mil novos casos de leucemias, 9º tipo de câncer mais comum entre os homens e 11º entre as mulheres, independentemente da idade. Mas, entre crianças e jovens de até 19 anos, representa cerca de 30% dos casos de câncer nessa faixa etária.
A doença é caracterizada por mutações genéticas de causas desconhecidas que fazem os glóbulos brancos (leucócitos) perderem a função de defesa do organismo. Essas células doentes se multiplicam e se acumulam na medula óssea, impedindo que esse berçário das células sanguíneas funcione corretamente. Conscientizar a população sobre essa doença, abordando sintomas, diagnóstico e tratamento, é o objetivo da campanha nacional Fevereiro Laranja.
Existem vários tipos de leucemia, sendo quatro deles mais comuns, classificados de acordo com a gravidade e a velocidade da sua progressão (crônica ou aguda) e o tipo de célula na qual a doença se origina (células mieloides ou linfoides):
Leucemia mieloide aguda (LMA)
Leucemia mieloide crônica (LMC)
Leucemia linfoide aguda (LLA)
Leucemia linfoide crônica (LLC)
Cada tipo de leucemia exige um tratamento específico, que pode envolver quimioterapia, imunoterapia (anticorpos que matam as células doentes ou medicações que estimulam o sistema imune a atacá-las), terapias-alvo (remédios que agem sobre determinadas partes das células da leucemia) e, principalmente no caso de pacientes mais jovens, transplante de medula óssea. A leucemia linfoide crônica, mais comum em idosos, nem sempre precisa ser tratada. Além do tipo da doença, a estratégia terapêutica leva em conta o estado clínico do paciente, o risco de recidiva (volta da doença após tratamento) e a idade. Há uma diferença importante no tratamento de adultos e crianças, sendo que estas são beneficiadas pela sua maior chance de cura.
As melhores respostas às intervenções terapêuticas, particularmente quando os pacientes podem contar com atendimento multidisciplinar, são obtidas quando a doença é detectada precoce e corretamente. Ou seja, quanto mais rapidamente a doença for reconhecida, em melhores condições de saúde o paciente chega ao médico para o início do tratamento.
Sintomas
As leucemias agudas surgem de maneira muita rápida, ocasionadas pela falta de produção das células sanguíneas devido ao acúmulo de blastos (células doentes) dentro da medula óssea. Em poucas semanas, a doença se manifesta por meio de sinais de anemia, como palidez, cansaço e sonolência. Também podem ocorrer dores ósseas, gânglios aumentados, manchas roxas, sangramento na gengiva, febre e infecções sem explicações.
Nas crianças também são comuns manchas roxas e lesões da pele em bebês. Além disso, cerca de 30% dos pacientes pediátricos apresentam dores nas juntas que parecem artrites e, muitas vezes, são confundidas com dores do crescimento ou dores provocadas pelo peso da mochila nas costas. Sinais comportamentais também devem ser considerados, como apatia e falta de vontade de brincar.
Os sintomas, que podem se manifestar de forma isolada ou combinada, indicam o acúmulo na medula óssea das células doentes (blastos). O maior risco é quando o paciente não valoriza os sintomas e vai adiando a consulta médica porque acredita que esses sinais são passageiros.
Já as leucemias crônicas costumam progredir lentamente, e as células sanguíneas conseguem preservar em algum grau suas funções. Muitas vezes, a doença é descoberta em meio a investigações de outras doenças ou em exames de sangue de rotina. Pessoas com leucemia mieloide crônica precisam começar o tratamento imediatamente. Já nos casos de leucemia linfoide crônica, nem todos precisam iniciá-lo de imediato.
Atenção especial às crianças
No Brasil, as leucemias são a principal causa de morte entre crianças e jovens de até 19 anos. A leucemia linfoide aguda (LLA) representa cerca de 80% dos casos nessa faixa etária. Assim como nos adultos, quanto mais cedo for diagnosticada e tratada, maiores são as chances de cura.
Nos anos 1980, a taxa de sobrevida das crianças com LLA em nosso país era de apenas 30% aproximadamente. De lá para cá, esse percentual cresceu para 69%, um índice ainda aquém dos registrados em países de alta renda, que já superaram a casa dos 90%.
Uma das razões para essa diferença é justamente a demora no diagnóstico e início do tratamento, fatores agravados pelas condições de desigualdade social e dificuldade de acesso aos serviços de saúde para alguns segmentos da nossa população. Esse atraso faz com que os pacientes cheguem aos médicos em condições clínicas mais graves e mais predispostos a complicações. Além disso, muitas vezes as primeiras manifestações da doença são confundidas com viroses. Atualmente, o índice de mortalidade no começo do tratamento no Brasil é de 6%, enquanto a taxa considerada tolerável é de 1,8%.
Também atrapalham o processo de cura de crianças e adolescentes a falta de protocolos terapêuticos padronizados nos diferentes serviços de saúde e, em algumas situações, o abandono do tratamento. Isso ajuda entender porque ainda assistimos a perda de pacientes pediátricos que, anteriormente, estavam com a doença controlada. Infecções também podem agravar o quadro.
Diagnóstico precoce
Não há exames específicos para diagnóstico de leucemias como os que existem no caso dos cânceres de útero (papanicolau), próstata (toque retal e PCR) e mama (mamografia). E, como os fatores que provocam a doença ainda são desconhecidos, também não há como prevenir a partir de mudanças de hábitos e estilo de vida. Contudo, na grande maioria dos casos, o sinal de alarme da presença da leucemia pode ocorrer por meio do hemograma, um exame de sangue bastante simples, que deve ser incorporado à rotina de exames médicos anuais.
A demora no diagnóstico e início do tratamento de uma leucemia crônica, por exemplo, pode resultar em agravamento do quadro, levando o paciente diretamente ao transplante de medula óssea. Mesmo nas leucemias linfoides crônicas, que podem ser apenas monitoradas pelos médicos em consultas periódicas, a descoberta precoce garante mais segurança para os pacientes. Por exemplo, no atual contexto da pandemia de Covid-19, eles têm direito de receber uma dose a mais da vacina.
É importante que os médicos orientem seus pacientes sobre essa estratégia de vigilância, baseada principalmente na realização periódica de hemogramas. Contudo, é fundamental buscar centros de excelência, como a BP, que, além de proporcionarem todos os tipos de tratamento para as leucemias, oferecem serviços laboratoriais de qualidade para obter diagnósticos precisos. Não são raros os exemplos de exames de má qualidade que deixam os médicos com mais dúvidas do que certezas.
A leucemia é uma das muitas doenças que não podem ser prevenidas. Mas ela pode ser tratada. Por isso, como destaca o Fevereiro Laranja, incluir o hemograma na rotina anual de exames, ficar atento aos sintomas e agendar consulta médica assim que perceber sinais suspeitos é o melhor caminho para obter um diagnóstico precoce e iniciar o tratamento. Quanto mais cedo, melhor.
Fontes: Danielle Leão – CRM/SP 94.841; Maria Lúcia Lee – CRM/SP 60.209
Data da última atualização: 04/2/2022




