O histórico familiar influencia no desenvolvimento do câncer de colorretal?

O histórico familiar influencia no desenvolvimento do câncer de colorretal?
Apenas uma parte dos casos está associada à herança genética. Mas pessoas com familiares que tiveram esse tipo de tumor devem redobrar os cuidados e iniciar mais cedo os exames de rastreamento.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil registra por ano cerca de 50 mil novos casos de cânceres de cólon (intestino grosso) e reto (parte final do intestino). Desses, aproximadamente 70% são classificados como esporádicos, causados por fatores diversos, não atrelados a outros casos na família, e que geralmente afetam pessoas com mais de 50 anos. Nos 30% restantes há presença de histórico familiar, que pode ser de parentes de 1º ou 2º graus, mas nem todos são transmitidos por genes específicos para o câncer de intestino – 5% a 10% se enquadram nesta classificação.

No entanto, a existência de casos do câncer colorretal na família já indica maior predisposição para a doença por outros fatores genéticos que não os genes específicos para esse tipo de tumor, que são herdados diretamente dos pais.

Por que a genética influencia?

Em linhas gerais, o tumor é uma massa de células derivada de uma única célula que sofreu um acúmulo de mutações no seu DNA por fatores diversos (ambientais, orgânicos ou genéticos) – e passou a se multiplicar ininterruptamente. Em nossa carga genética, temos mecanismos que protegem o organismo de mutações que provocam o câncer. Entretanto, se houver um gene problemático, transmitido por um dos pais, há redução da capacidade de defesa das células e consequente aumento da probabilidade de a pessoa desenvolver o câncer ao longo da vida. É o que ocorre entre 5% a 10% dos casos de câncer colorretal. É o chamado câncer hereditário.

Ter pai ou mãe com esse tipo de tumor não significa necessariamente ter a mutação, já que herdamos metade dos genes de cada um. Ou seja, a chance de herdar o gene problemático é de 50%.

Algumas síndromes indicam a existência dos genes que podem apresentar a mutação facilitadora do câncer. A mais comum, presente em 3% dos casos dos tumores de intestino, é a Síndrome de Lynch, responsável pelo câncer colorretal hereditário não poliposo. Ela é causada por alterações em genes de reparo (MLH1, MSH2, MSH6 ou PMS2). Esses genes têm a função de ajudar nos reparos do DNA.

Os casos de câncer associados à herança genética costumam ocorrer antes dos 50 anos e, dependendo do tipo de mutação, podem ser um pouco mais agressivos. O tratamento deve ser feito com uma equipe multidisciplinar, e em um centro especializado de oncologia.

Atualmente, existem exames genéticos capazes de identificar a existência das síndromes e dos genes causadores do câncer colorretal hereditário. Eles são indicados para pessoas com histórico familiar da doença, pois indicarão a necessidade de iniciar precocemente os exames de rastreamento. Em caso de ocorrência da doença, a identificação genética será importante também para um possível tratamento com terapia-alvo, com medicamentos específicos para cada tipo de mutação.

Rastreamento, tratamento e prevenção

Enquanto na população em geral a indicação é realizar o exame de colonoscopia a partir dos 50 anos, com intervalo geralmente de 5 anos, quem tem histórico familiar deve começar antes, a partir dos 35 anos, e a intervalos de 2 a 3 anos. O objetivo é detectar a doença em fase inicial, o que aumenta as chances de cura.

De forma geral, as pessoas não sabem muito sobre este tipo de câncer, o que torna ainda mais importante falar sobre ele. Pode ser conhecido também como câncer de intestino, e possui um índice de mortalidade alto, que vem sendo reduzido devido a novas medicações para o tratamento da doença avançada e ações de conscientização, como a importância de atividade física e uma dieta balanceada.

Vale ressaltar, ainda, a importância de adotar medidas de prevenção, combatendo os fatores de risco do câncer colorretal: dieta desequilibrada, rica em embutidos, carne, gordura e açúcares; produtos industrializados; tabagismo; consumo de álcool; excesso de peso; e sedentarismo. Esses cuidados se aplicam a todos, tenham histórico familiar ou não.

Fonte: Pablo De Nicola CRM-SP 111.339

Data da última atualização: 07/07/2023