Quais as chances de cura do câncer de mama diagnosticado em estágio inicial?

Estudos apontam que no diagnóstico de câncer de mama em estágio inicial os índices de cura superam os 90%. Realizar regularmente os exames de rastreamento é fundamental para detectar a doença nessa etapa.

Campanhas de conscientização sobre o câncer de mama, um dos mais incidentes entre as mulheres, batem sempre na mesma tecla, enfatizando a importância do diagnóstico precoce por meio da avaliação médica e realização da mamografia anual. A razão é simples: o diagnóstico de um tumor de mama em fase inicial aumenta bastante as chances de cura.

Dados do SEER (Surveillance, Epidemiology and End Results), base de dados populacionais norte-americana em câncer de 2019, demonstram uma taxa de cura de 90% a 95% entre as mulheres que tiveram o câncer de mama detectado em fase inicial, o chamado estágio 1. São tumores com até 2 centímetros localizados na mama, sem ramificação das células cancerígenas para os linfonodos (gânglios) próximos nas axilas ou para outros órgãos. Geralmente não palpáveis, esses tumores são detectados por mamografia, associada ou não à ultrassonografia de mamas.

Apenas em alguns casos de mamas menores podem ser notados no exame clínico, como no caso de câncer de mama em homens, que apesar de raros não são impossíveis, e são apenas uma das coisas sobre o câncer que você precisa saber.

A mamografia também possibilita a identificação do carcinoma in situ, uma lesão pré-maligna restrita à glândula mamária. As chances de cura estão associadas à fase de desenvolvimento do câncer. Quanto mais precoce, menor a quantidade de células malignas se multiplicando, deixando o tumor localizado na mama e com possibilidade muito baixa de gerar metástases (se disseminar para outras partes do corpo).

Isso facilita a cura com tratamentos menos agressivos, muitas vezes envolvendo apenas cirurgia, radioterapia e hormonioterapia, embora quimioterapia (mais leve que a usada nos tumores maiores) ou imunoterapia possa ser adotada em alguns casos de câncer de mama no estágio 1. A evolução dos tratamentos também tem contribuído para o aumento dos índices de cura.

A relação entre detecção precoce e chances de cura se aplica inclusive aos tipos de câncer de mama mais agressivos, o Triplo-negativo e o HER2 positivo, que são frequentemente associados a mutação nos genes BRCA 1 e BRCA 2. O tratamento desses casos é diferenciado, mais agressivo, mas a possibilidade de cura é alta: supera os 90% quando diagnosticado na fase inicial (estágio 1)

Para a detecção do câncer de mama em estágio inicial, é fundamental que as mulheres cumpram à risca, a partir dos 40 anos, a rotina anual de consulta com o ginecologista ou mastologista, com realização da mamografia, às vezes associada à ultrassonografia de mama. Nesse período de 12 meses, mesmo que surja um tumor, ele não deve ultrapassar o estágio 1.

O intervalo entre as avaliações deve ser menor se a mulher tem histórico familiar, se teve um câncer anteriormente ou, ainda, se tem mutação genética associada a câncer de mama identificada. Nesses casos, o acompanhamento é diferenciado e deve ser iniciado antes dos 40 anos, de acordo com a orientação médica. Além de mamografia e ultrassonografia, os exames para detectar o câncer podem incluir ressonância magnética, a depender de cada caso.

Fonte: Fabio Francisco Oliveira Rodrigues (CRM 81.824)

Data da última atualização: 04/07/2023