Hematologia

Juju enfrenta a leucemia com coragem, acolhimento e muita imaginação

Ser mãe sempre foi o maior sonho de uma paciente que precisou interromper sua rotina para acompanhar de perto o tratamento da filha, Juju. Aos 7 anos, a menina, que até então raramente ficava doente e nunca havia precisado de atendimento de emergência, começou a apresentar sintomas que despertaram a preocupação da família.

"Alguma coisa não está certa. A Juju não é assim. A Juju não fica doente."

Após exames que identificaram alterações no sangue e a presença de blastos, a família foi encaminhada para avaliação hematológica. O diagnóstico foi confirmado em dezembro: leucemia mieloide aguda (LMA). Exames posteriores identificaram uma alteração genética que indicava a necessidade de transplante de medula óssea.
Para a mãe, receber o diagnóstico foi devastador, mas também marcou o início do tratamento.

"O dia em que saiu o diagnóstico foi o dia em que começou a cura dela, porque a gente estava caminhando para isso."

A família iniciou uma nova rotina, marcada por internações, quimioterapia e preparação para o transplante. A primeira internação, que inicialmente imaginavam que duraria poucos dias, se estendeu por cerca de um mês.

Durante esse período, a família encontrou maneiras de preservar a infância de Juju. O quarto do hospital virou cenário para brincadeiras, desenhos, histórias, dança e até um cinema improvisado.

"A infância tem que continuar sendo vivida."

Juju também transformou o tratamento em uma espécie de investigação. Para ela, os profissionais eram "detetives" que precisavam encontrar pistas para descobrir o que estava acontecendo. A família entrou na brincadeira e passou a encarar cada etapa como uma nova pista desvendada.

O acolhimento da equipe médica e de enfermagem também foi fundamental para a família. Segundo a mãe, Juju sempre foi tratada com carinho, respeito e cuidado, com explicações sobre os procedimentos e atenção ao seu tempo e aos seus medos.

Aos 8 anos, Juju comemorou seu aniversário durante o tratamento no transplante de medula óssea. Seu "presente" foi a pega da medula.

Hoje, a mãe deseja que todo esse período seja apenas um capítulo superado na vida da filha.

"Eu quero que ela tenha a vida incrível que merece ter."

E Juju, que já sabe o que quer ser quando crescer, responde sem hesitar:

"Arquiteta."

Para outras crianças e famílias que estão começando uma jornada semelhante, Juju deixa uma mensagem simples:

"Vai ficar tudo bem. Você vai inventar um monte de coisas legais para fazer e acaba rapidinho."

Para sua mãe, a lição está nas pequenas conquistas de cada dia: uma alta hospitalar, um sorvete, uma comida especial ou simplesmente poder escolher o que comer. Em meio ao tratamento, são esses momentos que ajudam a tornar a jornada mais leve.

"O que faz a vida ser extraordinária é viver cada dia ao máximo."

Assista a entrevista completa

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