Tecnologia nacional de CAR-T promete ampliar acesso a terapia contra câncer no Brasil
- 10 de julho de 2026
A produção nacional da terapia celular CAR-T pode reduzir significativamente os custos do tratamento e facilitar sua incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS), segundo o hematologista Phillip Scheinberg, líder da Hematologia da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Desenvolvido por um consórcio formado pela Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, Instituto Butantan, Nutera, BP e com apoio do Ministério da Saúde, o produto brasileiro está em fase avançada de estudos clínicos.
Hoje, as terapias comerciais de CAR-T custam entre US$ 400 mil e US$ 450 mil por paciente, o que limita sua adoção em sistemas públicos de saúde. Para Scheinberg, a produção nacional representa uma oportunidade para reduzir essa dependência de tecnologias importadas.
“A produção nacional tem o potencial de tornar uma tecnologia de altíssima complexidade mais acessível no Brasil, ampliando o acesso de pacientes que tenham indicação adequada para esse tratamento.”
Segundo o especialista, o projeto vem sendo desenvolvido há mais de uma década e segue um modelo semelhante ao adotado pela Espanha, que implementou uma terapia CAR-T desenvolvida em ambiente acadêmico a um custo inferior ao dos produtos comerciais.
Antes de chegar ao SUS, porém, o tratamento ainda precisa concluir os estudos clínicos, comprovar segurança e eficácia e passar pela avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Paralelamente, será necessário preparar hospitais e equipes médicas para oferecer a terapia.
“Será fundamental investir na capacitação e no treinamento dos centros brasileiros que irão avaliar e acompanhar esses pacientes. Isso é essencial para garantir a indicação correta e que o produto chegue ao paciente certo, no momento certo.”
A BP já participa de iniciativas de capacitação de centros transplantadores por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), experiência que poderá ser expandida para a terapia CAR-T.
Resultados preliminares animam pesquisadores
Embora os dados ainda não tenham sido publicados em revistas científicas nem apresentados em congressos, Scheinberg afirma que os resultados iniciais são promissores.
“Até o momento, o tratamento tem demonstrado um perfil de segurança favorável e sinais de eficácia muito semelhantes aos observados nos estudos que levaram à aprovação das primeiras terapias CAR-T pelas principais agências regulatórias internacionais.”
Apesar do otimismo, ele ressalta que será necessário concluir o acompanhamento dos pacientes para confirmar a durabilidade das respostas e a segurança do tratamento em longo prazo.
Indicação é restrita a casos específicos
Atualmente, a terapia CAR-T é indicada para pacientes com alguns tipos de linfoma de células B, leucemia linfoblástica aguda de células B em pacientes de até 25 anos e mieloma múltiplo. Em geral, o tratamento é destinado a pessoas cuja doença voltou após outras terapias ou deixou de responder aos tratamentos convencionais.
“O CAR-T é reservado para pacientes que apresentaram recaída ou refratariedade. Nesses casos, a terapia celular representa uma estratégia capaz de superar mecanismos de resistência desenvolvidos pelas células tumorais.”
Segundo o hematologista, a indicação deve ser individualizada e feita por equipes especializadas, considerando o histórico clínico e o potencial benefício para cada paciente.
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