Câncer de mama: prevenção, tratamentos e cuidados que vão além do diagnóstico

  • 20 de outubro de 2026

O câncer de mama envolve desafios que vão além do combate à doença. Os avanços da oncologia têm ampliado as possibilidades de tratamento, com cirurgias menos invasivas, medicamentos mais específicos e estratégias para preservar a qualidade de vida das pacientes. Durante o Outubro Rosa, o oncologista Daniel Gimenes, da Beneficência Portuguesa de São Paulo (BP), destaca a importância do diagnóstico precoce, dos hábitos saudáveis e do acolhimento durante toda a jornada de cuidado.

Mamografia e atenção aos sinais do corpo

A mamografia é o principal exame utilizado no rastreamento do câncer de mama. Ela permite identificar alterações, como microcalcificações, que podem não ser percebidas pelo toque e ajudar no diagnóstico em fases iniciais.

O acompanhamento deve seguir as recomendações médicas, considerando a idade e os fatores de risco de cada mulher. Conhecer o próprio corpo também é importante, especialmente para perceber alterações entre os exames de rotina.

“O autoexame ajuda; ele não substitui a mamografia”, explica o oncologista. A presença de um nódulo ou outra mudança nas mamas deve ser avaliada por um profissional de saúde, mesmo quando a mulher ainda não está na faixa etária recomendada para o rastreamento..

Hábitos saudáveis ajudam a reduzir o risco

O controle do peso corporal e a prática regular de atividade física estão entre as medidas que podem contribuir para reduzir o risco de câncer de mama. Alimentação equilibrada e redução do consumo de bebidas alcoólicas também fazem parte dos cuidados preventivos.

Segundo Daniel Gimenes, a atividade física tem papel importante tanto na prevenção quanto na recuperação das pacientes. A prática deve ser adaptada às condições clínicas e à etapa do tratamento, com orientação da equipe de saúde.

“Não é uma pílula, não é uma injeção; é estilo de vida”, ressalta o médico ao destacar a importância dos hábitos saudáveis.

O especialista também explica que o aleitamento materno e determinados fatores relacionados à vida reprodutiva podem influenciar o risco. Já o uso de terapias hormonais exige avaliação individualizada dos benefícios e riscos, especialmente quando há fatores que aumentam a predisposição à doença.

Avanços no tratamento e na reconstrução mamária

O câncer de mama apresenta diferentes subtipos, com características biológicas e comportamentos distintos. Essa classificação ajuda a equipe médica a definir o tratamento mais adequado, que pode incluir cirurgia, quimioterapia, hormonioterapia, terapias-alvo e imunoterapia, conforme cada caso.

As técnicas cirúrgicas também evoluíram. Atualmente, muitas pacientes podem ser submetidas a procedimentos que preservam parte da mama, quando clinicamente indicados. Em situações selecionadas, a reconstrução mamária pode ser realizada durante a mesma cirurgia da retirada do tumor ou da mama.

“Hoje é muito comum ver cirurgias extremamente conservadoras”, afirma Gimenes, ressaltando a evolução das técnicas e das estratégias de tratamento.

Outra possibilidade é a crioterapia do couro cabeludo, que utiliza resfriamento durante determinados esquemas de quimioterapia para reduzir a queda de cabelo. O recurso não funciona para todas as pacientes, mas pode ajudar a preservar os fios em situações específicas.

Fertilidade, autoestima e suporte emocional

O diagnóstico e o tratamento do câncer de mama podem afetar a autoestima, os relacionamentos e os planos de maternidade. Por isso, a abordagem deve considerar não apenas o tumor, mas também as necessidades emocionais, familiares e sociais da paciente.

Para mulheres que desejam engravidar, a preservação da fertilidade deve ser discutida com a equipe médica antes do início de tratamentos que possam comprometer a função ovariana. Dependendo do caso, o congelamento de óvulos pode ser uma alternativa.

O acompanhamento multidisciplinar, com profissionais de enfermagem, psicologia, fisioterapia e nutrição, também pode ajudar a lidar com os efeitos colaterais, recuperar a mobilidade e retomar gradualmente as atividades cotidianas.

“O apoio da família, dos amigos e das pessoas do trabalho reduz muito o risco de ansiedade”, destaca o oncologista.

O Outubro Rosa reforça que o cuidado com o câncer de mama começa com informação e diagnóstico oportuno, mas continua durante todo o tratamento e a recuperação. O acompanhamento individualizado e o acolhimento são fundamentais para que cada paciente enfrente essa jornada com segurança e qualidade de vida.

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