Câncer de pulmão reduzir riscos e diagnosticar cedo ainda são os maiores desafios
- 30 de julho de 2026
Em entrevista ao Estadão, o doutor Marcelo Corassa, Oncologista clínico, líder da Unidade de Câncer de Pulmão e Neoplasias do Tórax da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo e integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer fala sobre Câncer de Pulmão.
A saúde dos pulmões nem sempre recebe a atenção que merece. Muitas vezes, sinais aparentemente comuns são ignorados ou associados a outras causas, o que pode atrasar a descoberta do câncer de pulmão, uma doença que frequentemente evolui de forma silenciosa. Por isso, durante o Agosto Branco, mês de conscientização sobre a doença, precisamos reforçar duas mensagens fundamentais: prevenir e diagnosticar no tempo oportuno.
No Brasil, o desafio é significativo. De acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apenas para este ano, são esperados mais de 35 mil novos casos de câncer de pulmão. Além de estar entre os tipos de câncer mais frequentes no País, a doença continua sendo uma das principais causas de morte por câncer, o que reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento adequado.
Apesar dos avanços no tratamento, prevenção e rastreamento têm papel fundamental na redução da mortalidade
Todos conhecem campanhas como o Outubro Rosa e o Novembro Azul, voltadas para a conscientização sobre os tumores de mama e próstata. Mas pouca gente sabe que o câncer de pulmão também tem um mês dedicado à informação e à prevenção.
Quando pensamos em conscientização, muitas pessoas imaginam que vamos falar apenas sobre novos tratamentos ou medicamentos. Esses temas são importantes, mas o maior impacto na redução da mortalidade está em duas atitudes que precisam ser reforçadas durante o ano todo.
Sim, ainda precisamos falar sobre o cigarro.
A primeira delas é evitar o tabagismo. Todos sabem que o cigarro causa câncer de pulmão. Essa informação está presente, inclusive, nas embalagens dos produtos derivados do tabaco. Ainda assim, é importante reforçar essa mensagem, principalmente diante do aumento do número de pessoas fumando novamente, especialmente entre os jovens.
Além do cigarro convencional, surgiram outras formas de consumo de nicotina, como os cigarros eletrônicos e dispositivos de vaporização. Muitas pessoas acreditam que esses produtos não oferecem riscos ou que não causam câncer de pulmão. No entanto, essa segurança não existe. Estudos recentes já apontam uma possível associação entre o uso desses dispositivos e o desenvolvimento da doença, embora ainda não seja possível afirmar se o risco é equivalente ao do cigarro convencional.
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