Saúde cerebral: memória, sono e sinais de alerta

  • 27 de outubro de 2026

Esquecimentos frequentes, noites mal dormidas e mudanças na fala ou nos movimentos podem ter diferentes causas. Em episódio do podcast Entre Nós Saúde, da BP, os médicos Guilherme Olival, neurologista, e Mateus Seghuin, neurocirurgião, explicam como hábitos cotidianos influenciam a saúde cerebral, quais alterações merecem investigação e por que o diagnóstico precoce faz diferença.

Conduzida por Veridiana Penteado, diretora médica executiva da BP, a conversa também aborda prevenção de doenças neurológicas, avanços no tratamento e a importância de reconhecer os sinais de uma emergência, como o acidente vascular cerebral (AVC).

Esquecimento nem sempre é sinal de demência

Esquecer ocasionalmente onde deixou as chaves ou ter dificuldade para se lembrar de uma informação pode acontecer com qualquer pessoa. Estresse, sono insuficiente e falta de atenção estão entre os fatores que podem prejudicar a memória.

Segundo os especialistas, a sobrecarga de informações e a tentativa de realizar várias tarefas ao mesmo tempo também podem comprometer a capacidade de concentração. Quando uma pessoa consulta o celular enquanto conversa ou executa outra atividade, por exemplo, pode não prestar atenção suficiente para registrar aquela informação na memória.

O alerta surge quando as mudanças se tornam persistentes ou começam a interferir nas atividades habituais. Perder-se em um caminho conhecido, apresentar dificuldade para administrar tarefas que antes eram realizadas com facilidade ou demonstrar alterações percebidas por familiares são situações que merecem avaliação profissional.

O esquecimento não deve ser atribuído automaticamente ao envelhecimento. Alterações cognitivas podem ter diferentes causas, incluindo doenças neurodegenerativas, depressão, deficiências nutricionais e distúrbios do sono. A investigação médica ajuda a identificar a origem do problema e a definir o acompanhamento adequado.

Sono de qualidade também protege o cérebro

Dormir é essencial para a consolidação da memória, a aprendizagem e o funcionamento cognitivo. A privação de sono pode prejudicar a atenção e a concentração, além de afetar a disposição e a qualidade de vida.

Para favorecer o descanso, os médicos recomendam adotar hábitos que ajudem o organismo a desacelerar à noite: diminuir a iluminação, reduzir o uso de telas perto da hora de dormir e reservar um período para atividades tranquilas, como a leitura.

Também é importante investigar dificuldades persistentes para dormir ou sonolência excessiva durante o dia. Condições como a apneia do sono podem passar despercebidas e estão associadas a riscos cardiovasculares e cerebrovasculares. Em alguns casos, a avaliação especializada e exames específicos, como a polissonografia, ajudam a identificar o problema.

Medicamentos e dispositivos que prometem melhorar o sono não substituem a investigação de suas causas. A indicação de tratamentos deve considerar as necessidades de cada pessoa.

Quais são os sinais de alerta para um AVC?

O acidente vascular cerebral acontece quando o fluxo sanguíneo para uma região do cérebro é interrompido ou quando há sangramento. É uma emergência médica: reconhecer os sintomas e agir rapidamente pode reduzir o risco de sequelas e salvar vidas.

Entre os principais sinais estão:

  • Fraqueza ou perda súbita de sensibilidade em um lado do corpo;

  • Dificuldade repentina para falar ou compreender a fala;

  • Alteração súbita da visão, da coordenação ou do equilíbrio;

  • Dor de cabeça súbita e muito intensa, especialmente quando diferente das habituais.

Diante de suspeita de AVC, procure atendimento de emergência imediatamente ou acione o SAMU pelo 192. Não espere os sintomas passarem nem tente conduzir o tratamento em casa. Mesmo quando os sinais desaparecem, é necessária avaliação urgente.

Tratamentos neurológicos exigem diagnóstico preciso

Nem todo tumor cerebral precisa de cirurgia. A decisão depende de fatores como o tipo de tumor, sua localização, seu tamanho, seu comportamento e as condições clínicas do paciente.

Os especialistas destacam que recursos de imagem, planejamento cirúrgico e monitoramento das funções neurológicas durante determinados procedimentos ajudam a orientar a abordagem e a preservar funções importantes, como fala e movimento. A equipe multidisciplinar também contribui para preparar o paciente e apoiar sua recuperação.

Algumas condições que afetam a memória e a marcha, como a hidrocefalia de pressão normal, podem ter tratamento específico. Por isso, identificar a causa dos sintomas é fundamental: nem toda alteração cognitiva é Alzheimer, e algumas condições potencialmente tratáveis podem ser confundidas com doenças degenerativas.

Hábitos cotidianos contribuem para a saúde cerebral

Cuidar do cérebro envolve mais do que estimular a memória. Alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado e controle da pressão arterial, do colesterol e da diabetes fazem parte de uma rotina favorável à saúde cerebral.

Os médicos também ressaltam a importância de cuidar da audição, manter vínculos sociais, aprender coisas novas e reservar tempo para atividades prazerosas, hobbies e descanso. O acompanhamento de alterações auditivas e de outros problemas de saúde deve fazer parte dos cuidados preventivos.

Não existe uma medida isolada capaz de garantir a prevenção de todas as doenças neurológicas. Ainda assim, hábitos saudáveis e acompanhamento médico podem contribuir para a saúde ao longo da vida.

A principal mensagem do episódio é observar mudanças persistentes na memória, no sono, nos movimentos ou na capacidade de realizar tarefas cotidianas. Em vez de tentar interpretar os sintomas sozinho, buscar orientação profissional é o caminho para investigar suas causas e identificar o cuidado mais adequado.

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