Avanço da maternidade após os 40 coincide com aumento de casos de câncer de mama

  • 10 de junho de 2026

O número de casos de câncer de mama cresce de forma expressiva entre mulheres na faixa dos 40 anos, segundo dados do Ministério da Saúde. O cenário chama a atenção de especialistas por coincidir com uma tendência cada vez mais comum no Brasil: o adiamento da maternidade.

Levantamento do Painel-Oncologia Brasil mostra que, em 2023, foram registrados 2.957 casos da doença entre mulheres de 30 a 34 anos. Entre aquelas de 40 a 44 anos, o número chegou a 6.449 diagnósticos, um aumento de 118%. Em 2024, os registros passaram de 1.909 para 6.340 casos entre as duas faixas etárias. Já em 2025, os diagnósticos subiram de 1.573 para 4.777. Os dados revelam que a incidência do câncer de mama aumenta de forma significativa a partir dos 40 anos.

Ao mesmo tempo, cresce o número de mulheres que optam por engravidar mais tarde. Com isso, a gestação passa a ocorrer justamente em um período da vida em que a ocorrência da doença é mais frequente.

Segundo o oncologista Daniel Gimenes, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, diversos fatores influenciam o desenvolvimento do câncer de mama, incluindo questões hormonais e reprodutivas.

“Os principais fatores de risco para o câncer de mama incluem aspectos endócrinos e reprodutivos, além de fatores relacionados ao estilo de vida, exposições ambientais e predisposição genética. O risco também está associado à exposição prolongada ao estrogênio ao longo da vida reprodutiva, como nos casos de gravidez tardia”, afirma.

O especialista ressalta que, diante do adiamento da maternidade por razões pessoais, profissionais e sociais, a gravidez e o diagnóstico de câncer de mama podem ocorrer simultaneamente em alguns casos.

Tratamento durante a gestação

Embora o diagnóstico de câncer durante a gravidez represente um desafio adicional, especialistas afirmam que existem protocolos seguros para tratar a doença sem comprometer a saúde do bebê.

“O tratamento com quimioterapia pode ser realizado a partir do segundo trimestre, com protocolos seguros tanto para a mãe quanto para o bebê, desde que haja supervisão especializada”

— Daniel Gimenes, oncologista da BP, a Beneficência Portuguesa de São Paulo

Daniel Gimenes

De acordo com o médico, o acompanhamento deve envolver uma equipe multidisciplinar, formada por oncologistas, obstetras, nutricionistas e psicólogos. O planejamento também leva em consideração o momento do parto, sendo recomendada a interrupção da quimioterapia cerca de 40 dias antes do nascimento da criança.

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