Raphinha tem lesão na coxa: por que é tão difícil de evitar esse tipo de problema no futebol?

  • 20 de junho de 2026

Exames realizados neste sábado (20) constataram que Raphinha, atacante da seleção brasileira de futebol, tem uma lesão muscular na coxa direita e vai desfalcar a Seleção brasileira. O comunicado da CBF não dá uma previsão de retorno.

A intenção é contar com o atacante a partir de uma eventual partida de oitavas de final, daqui a duas semanas, caso a Seleção avance na Copa do Mundo.

Raphinha deixou o campo ainda no primeiro tempo no jogo em que a Seleção brasileira derrotou o Haiti por 3 a 0.

Ele sentiu dores na parte posterior da coxa direita, no quarto episódio na mesma região em menos de um ano.

O padrão é conhecido na medicina esportiva: uma vez lesionada, essa musculatura fica mais propensa a um novo problema. E a explicação está na anatomia do bíceps femoral, o músculo mais associado a esse tipo de lesão no futebol.

O que é o bíceps femoral

A parte posterior da coxa é ocupada por um grupo de músculos chamado isquiotibiais - nome que vem da tuberosidade isquiática, ponto da bacia onde eles começam, e que termina na tíbia. Dentro desse grupo está o bíceps femoral.

“O bíceps femoral é biarticular: ele atua sobre duas articulações ao mesmo tempo, o quadril e o joelho, fazendo a extensão do quadril, a flexão do joelho e a rotação externa da tíbia.”

Fabiano Nunes, ortopedista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Fabiano Nunes

Por cruzar duas articulações, o músculo costuma ser alongado nas duas extremidades simultaneamente —uma característica anatômica que, segundo o especialista, já o torna mais sujeito a sobrecarga do que um músculo de articulação única.

O momento de maior risco

A maioria das lesões nesse músculo não vem de choques ou pancadas, mas de corridas em velocidade máxima. Pouco antes de o pé tocar o solo, na fase de aceleração da perna, o bíceps femoral precisa frear a hiperextensão do joelho, impedir a flexão excessiva do quadril e controlar a desaceleração da perna que avança - tudo isso por meio de uma contração excêntrica, quando o músculo se contrai com força ao mesmo tempo em que se alonga, em vez de encurtar.

"É exatamente nesse tipo de contração, que ocorre nos sprints de alta velocidade e nos movimentos de desaceleração, que se concentra o maior número de lesões musculares", afirma Nunes.

Chutes de longa distância, cruzamentos e disputas de bola aérea exigem o mesmo tipo de esforço. É por isso que o músculo é tão solicitado ao longo de uma partida, mesmo fora dos momentos de sprint.

Confira a notícia completa em g1.globo.com

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