AVC em jovens: casos aumentam e reforçam a importância do atendimento rápido

  • 4 de novembro de 2026

Os casos de acidente vascular cerebral (AVC) entre jovens e adultos têm aumentado nos últimos anos. Em cinco anos, as internações de pessoas entre 15 e 49 anos cresceram aproximadamente 17%, segundo dados do Ministério da Saúde. Entre os fatores que podem contribuir para esse cenário estão a alimentação inadequada, a falta de sono e até mesmo a exposição à poluição do ar.

Além da prevenção e do controle dos fatores de risco, existe um aspecto fundamental para reduzir as consequências da doença: a rapidez na identificação dos sintomas e na procura por atendimento médico.

A história de Carla é um exemplo de como o AVC também pode atingir pessoas jovens. Ela tinha apenas 22 anos quando uma dor de cabeça persistente mudou sua vida. Inicialmente, os sintomas foram confundidos com uma crise de enxaqueca, mas o diagnóstico revelou um acidente vascular cerebral isquêmico.

Durante a internação, o quadro se agravou. Carla apresentou novas complicações, precisou ser encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), foi intubada e chegou a correr risco de morte encefálica.

"Eu tive mais umas três ou quatro convulsões no hospital. Fui passando da enfermaria para a UTI e, depois, me intubaram. Foi algo absurdo. Eu estava prestes a entrar em morte encefálica", relata.

Após superar a fase mais crítica da doença, Carla precisou reaprender a falar e a se movimentar. Em seis meses, conseguiu retomar suas atividades e voltar à faculdade.

Durante a investigação das possíveis causas do AVC, exames identificaram uma predisposição genética leve à trombose. Na época, ela também fazia uso de anticoncepcional, fator que foi considerado na avaliação médica.

Por que os casos de AVC estão aumentando entre os jovens?

O crescimento das internações por AVC entre pessoas mais jovens acende um alerta para a importância da prevenção e do acompanhamento da saúde cardiovascular.

Dados do Ministério da Saúde mostram que as internações de pessoas entre 15 e 49 anos passaram de aproximadamente 35 mil, em 2020, para mais de 40 mil em 2025, representando um aumento de cerca de 17%.

Entre os fatores associados ao risco de doenças cerebrovasculares estão hipertensão arterial, diabetes, obesidade, tabagismo, sedentarismo e alterações nos hábitos alimentares e de sono.

O acidente vascular cerebral acontece quando o fluxo de sangue para uma região do cérebro é interrompido ou quando ocorre o rompimento de um vaso sanguíneo. A doença pode ser classificada em dois tipos principais:

  • AVC isquêmico: ocorre quando um coágulo ou outra obstrução impede a circulação sanguínea em uma região do cérebro.

  • AVC hemorrágico: acontece quando um vaso sanguíneo se rompe, provocando sangramento no cérebro.

Quais são os principais sintomas do AVC?

Reconhecer os sinais de um AVC é fundamental para garantir o atendimento adequado o mais rápido possível. Entre os principais sintomas estão:

  • Fraqueza ou perda de força em um dos lados do corpo;

  • Dificuldade para falar ou compreender o que outras pessoas dizem;

  • Alterações repentinas na visão;

  • Perda de equilíbrio ou dificuldade para caminhar;

  • Tontura e alterações na coordenação motora.

A presença de um ou mais desses sinais exige atendimento médico imediato. Não se deve esperar que os sintomas desapareçam espontaneamente.

Por que o atendimento rápido é tão importante?

O tempo é um fator determinante no tratamento do AVC. Existem terapias capazes de reduzir os danos causados pela doença e, em determinadas situações, restabelecer o fluxo sanguíneo cerebral.

Entretanto, a indicação desses tratamentos depende de uma avaliação médica e, principalmente, do tempo transcorrido desde o início dos sintomas. Por isso, diante de qualquer suspeita de AVC, é fundamental procurar imediatamente um serviço de emergência ou acionar o SAMU (192).

O reconhecimento dos sintomas, o diagnóstico rápido e o início oportuno do tratamento podem fazer toda a diferença na recuperação e na qualidade de vida do paciente.

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